Este post de Francisco José Viegas, sobre as andanças «sub-democráticas», no Brasil, do governo de Lula. O mote é o caso dramático das exportações de cubanos (refugiados não-oficiais) para a ilha-prisão de Fidel.
[João Carlos Silva]
terça-feira, agosto 14, 2007
domingo, agosto 12, 2007
sábado, agosto 11, 2007
Simpsons
Fui ver o filme dos Simpsons e, escusado será dizer, foi dinheiro bem gasto. Não é surpresa dizer que é bom, tendo em conta que a deturpação da essência da série não aconteceu quando se passou os Simpsons para o cinema. É quase um milagre da criação humana a longevidade do humor da série, que pouco ou nada sofreu com os anos - muito pelo contrário, até veio a refinar-se e a ganhar, subtilmente, contornos mais negros e menos mímicos. Se é possível falar de «obras de uma vida», então os Simpsons são, sem dúvida, uma delas. Não só a «obra da vida» de Matt Groening, como parte das vidas de todos nós, que apanhámos os Simpsons na infância, adolescência, juventude ou, simplesmente, na parte atenta da nossa triste existência.

[João Carlos Silva]

[João Carlos Silva]
Cão
Suspeito desde há muito que o cão é bastante mais esperto do que o homem: sempre estive convencido, até, de que o cão sabe falar, só que tem um feitio teimoso. O cão é um político extraordinário: repara em tudo, em todos os passos do homem.
Nikolai Gógol, Diário de Um Louco
[João Carlos Silva]
Nikolai Gógol, Diário de Um Louco
[João Carlos Silva]
Escrita
Por vezes, a escrita é um ofício impossível. É algo mais frágil do que um emprego de remuneração variável: meses há em que se passa fome.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Doutoramento em Carimbação
Peço um papel numa secretaria. Dizem-me que ainda não chegou a doutora que diz que os papéis estão feitos. Como tal, o papel também não chegou. «A doutora ainda não trouxe o carimbo», diz a simpática e inocente senhora que me atende.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Dona Inês
Hoje ainda não comprei o Expresso. E, portanto, à falta dos artigos que Inês Pedrosa ultimamente tem escrito, tive de me limpar ao papel quando fui à casa-de-banho.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
O mal-estar do Verão
Por vezes, durante o agradabilíssimo calor de Verão, que encharca as pernas de suor e apoquenta o escroto, as livrarias deixam de ser apelativas ao leitor apaixonado. É que estar perante preços altos e troçistas - que escondem livros tentadores - faz transpirar ainda mais e faz o intestino dar a volta final em direcção à catástrofe, e em direcção a um W.C. de café.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
O talento
Quem transporta o talento em si tem de ser o de alma mais pura. A outro qualquer será perdoada muita coisa, mas para ele não haverá perdão. Se um homem sai de casa com o seu fato de cerimónia claro, basta um salpico de lama provocado pela roda de uma carroça para toda a gente o rodear, lhe apontar o dedo e comentar a sua falta de asseio, mas não repara nas muitas nódoas nas roupas de todos os dias que envergam os outros transeuntes. É que na roupa do dia a dia não se vêem as manchas.
Nikolai Gógol, O Retrato
[João Carlos Silva]
Nikolai Gógol, O Retrato
[João Carlos Silva]
sexta-feira, agosto 10, 2007
Deserto
A grande maioria dos visitantes deste cantinho chega aqui através de pesquisas no Google. Palavras como «vaca», «sexo», «rata», «seio», «vadia», entre outras, são essenciais para atravessar o deserto.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Problema na biblioteca
Escrever posts à pressa porque a pessoa do computador do lado também é blogger e também não tem nada para escrever.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Cabra vadia
Um homem não sai de casa durante vários dias e, quando sai, depara-se com um calor insuportável e com um mundo que já não lhe pertence. Mulheres, pernas de mulheres, bronzes, asneiras, suores, piadas. Outras vidas.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
quinta-feira, agosto 09, 2007
Berardo
Fui visitar a dispendiosa «Colecção Berardo» ao CCB e fiquei francamente desiludido. Estou, aliás, convicto de que tudo o que possa estar ligado ao CCB seja uma desilusão. Pelo dinheiro gasto, pelo vazio cultural, pela falta de gosto. Quem for a um qualquer museu de renome no estrangeiro, terá oportunidade de ver arte a sério. Aquilo que vi é pouco. Citando um visitante menos acostumado a lidar com o mundo dos livros e da cultura: «Vem um gajo com os putos ver quadros quando podia estar na Costa, pá.»
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Lésbicas
Segundo uns rumores que me chegaram aos ouvidos, uma lésbica britânica foi condenada, embora não tenha sido presa, por bigamia. Parece que «formalizou uma união de facto» com a sua parceira sem estar divorciada do marido. Ora, nunca vi a cara nem o corpo da senhora em causa, no entanto, posso afirmar que sou a favor de tudo o que tenha que ver com contactos corporais entre mulheres. Então, com o calor, não consigo imaginar a prisão de uma mulher que durma com outra. Pior do que a homossexualidade de mulheres, mesmo que pouco bonitas, é a nudez de uma mulher feia.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
J. V. Serrão
A casta nacional não tem tanto paladar quanto a estrangeira, mas, em termos de sensualidade, é o que de melhor se arranja na historiografia portuguesa. Joaquim Veríssimo Serrão.
[Paulo Ferreira]
Elvis de Campolide
terça-feira, agosto 07, 2007
Do rico pobre
Um pobre de espírito julgava-se rico por ter dinheiro. Mas o cheiro a fezes fazia com que a verdade não fosse ao fundo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
segunda-feira, agosto 06, 2007
Sms
Pela quantidade de vezes que recebi mensagens de L. F. Menezes, posso afirmar que o homem merece ser expatriado.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Imbecilidade
Se um génio, que é génio, nada faz para viver melhor consigo próprio, por que razão se preocupará um imbecil com coisas tão complicadas?
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Antes e agora
Ao carregar com móveis vários às costas para um segundo andar, lembro-me da infância e de jogar às casinhas. Já nesse tempo imaginava que isto deveria ser complicado.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Pavese (nota)
A misoginia de Pavese não se limita a um simples ódio ao elemento feminino. É, mais do que isso, um amor que, por se alimentar exclusivamente de solidões, se transforma em ódio e em desprezo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Deus
Novamente a experiência de que desejamos a dor para nos aproximarmos de Deus.
- Cesare Pavese, O Ofício de Viver
[Paulo Ferreira]
- Cesare Pavese, O Ofício de Viver
[Paulo Ferreira]
Fundamental
Quando uma mulher casa, pertence a outro; e quando pertence a outro, nada mais há a dizer-lhe.
- Cesare Pavese, O Ofício de Viver
[Paulo Ferreira]
- Cesare Pavese, O Ofício de Viver
[Paulo Ferreira]
domingo, agosto 05, 2007
A bela estupidez
A estupidez constitui um encanto especial numa mulher bonita. Pelo menos, conheci muitos maridos entusiasmados com a estupidez das suas esposas e que vêem nela todos os sinais da ingenuidade infantil. A beleza produz verdadeiros milagres. Todos os defeitos espirituais de uma beldade, em vez de causarem repugnância, tornam-se de algum modo incrivelmente atraentes, e o próprio vício, nelas, respira beleza; porém, se a beleza desaparecer, a mulher precisará de ser vinte vezes mais inteligente do que o homem para inspirar, se não o amor, pelo menos o respeito.
Nikolai Gógol, Avenida Névski
[João Carlos Silva]
Nikolai Gógol, Avenida Névski
[João Carlos Silva]
Acto falhado
A verdadeira ganância: encomendar uma pizza por telefone e ir buscá-la (por engano) a uma churrasqueira brasileira.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
sábado, agosto 04, 2007
Roupa positiva
Fique-se sabendo que, na ânsia de criar uma (tenebrosa) religião positivista, Saint-Simon e Comte inventaram, entre muitas outras coisas, umas roupas que todos deveriam usar, com a particularidade de terem o fecho meio das costas. Ora, este obrigava a que fosse outra pessoa a fechar o dito cujo para ajudar a vestir. O objectivo: obrigar ao altruísmo. O resultado: rusgas policiais por desconfiança de orgias.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
A única prisão
Vejo um documentário interessante sobre Cuba na RTP e vejo as largas dezenas de prisões espalhadas pela ilha ao serviço de Fidel Castro, ao serviço da ditadura castrista e dos órgãos de tortura política. Vejo um outro documentário sobre torturadores jugoslavos, um outro sobre franceses (e aí lembro-me, claro está, da abjecta Ilha do Diabo). Multiplicam-se os relatos históricos nas últimas semanas para me lembrar de quantas prisões encerram ou encerraram pessoas, muitas vezes inocentes, dentro das suas portas e as submeteram às mais terríveis torturas. E então pergunto-me: porquê fazer crer às pessoas que Guantánamo é a «causa de todos nós», que é a única e primeira das prisões a eliminar, que a América é o Grande Satã?
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Memórias do cárcere comunista
Foi Assim, o livro de memórias dos «tempos de luta» de Zita Seabra, é um livro enriquecedor. De todos os lados têm partido os ataques ao livro da senhora. Independentemente de se gostar ou não da actual posição política de Zita Seabra (eu, pessoalmente, até nem gosto da sua rigidez ideológica adquirida, por oposto à antiga rigidez dos tempos da ortodoxia comunista), esta autobiografia «específica» cai que nem ginjas a qualquer um. Estou em crer que sim. Mas mesmo assim as baterias abrem fogo contra o livro. Porquê? Porque fala de outras pessoas. Porque, supostamente e realmente, «denuncia» a verdadeira personalidade de Álvaro Cunhal. Porque, supostamente e apenas supostamente, é um exercício revisionista de quem não se revê naqueles anos. De quem diz que não sabia de nada.
Infelizmente, para quem leu o livro com alguma atenção, a verdade é outra: Zita Seabra diz que não há como fugir daqueles anos; diz que voltaria a fazer tudo de novo; e que, tal como os outros, as notícias que recebia acerca do que realmente se passava na URSS chegavam-lhe mas não se deixou demover. Foi fanática e, tristemente, aceita esse facto como tal. Não renega a história. A sua e a do seu ex-partido. Nem a de Cunhal, que tanto admirou durante todos os seus anos de «Partido» (e durante a maior parte do livro).
Para não ter medo do livro ou, simplesmente, para não achar que é mais um incipiente livro de memórias, era bom dar uma vista de olhos por aquelas 400 e tal páginas. Não se abre mais a história do PCP tal como a conhecemos, mas as pequenas portas ao longo desse corredor historiográfico vão abrir-se, revelando talvez pequenas pérolas do dia-a-dia dos comunistas portugueses, mesmo depois do 25 de Abril. Ou isso ou podemos fazer como aquela senhora, que Zita refere no livro, que deixou de ver as notícias aquando da queda do comunismo, para manter a chama viva dentro dela, independentemente do que a «propaganda capitalista» andasse por aí a papaguear.
[João Carlos Silva]
Infelizmente, para quem leu o livro com alguma atenção, a verdade é outra: Zita Seabra diz que não há como fugir daqueles anos; diz que voltaria a fazer tudo de novo; e que, tal como os outros, as notícias que recebia acerca do que realmente se passava na URSS chegavam-lhe mas não se deixou demover. Foi fanática e, tristemente, aceita esse facto como tal. Não renega a história. A sua e a do seu ex-partido. Nem a de Cunhal, que tanto admirou durante todos os seus anos de «Partido» (e durante a maior parte do livro).
Para não ter medo do livro ou, simplesmente, para não achar que é mais um incipiente livro de memórias, era bom dar uma vista de olhos por aquelas 400 e tal páginas. Não se abre mais a história do PCP tal como a conhecemos, mas as pequenas portas ao longo desse corredor historiográfico vão abrir-se, revelando talvez pequenas pérolas do dia-a-dia dos comunistas portugueses, mesmo depois do 25 de Abril. Ou isso ou podemos fazer como aquela senhora, que Zita refere no livro, que deixou de ver as notícias aquando da queda do comunismo, para manter a chama viva dentro dela, independentemente do que a «propaganda capitalista» andasse por aí a papaguear.
[João Carlos Silva]
terça-feira, julho 31, 2007
Putas
A misoginia de Pavese é preocupante para um dos seus leitores. Ora, mas se um homem é fraco ao ponto de se dar com putas, o que se pode fazer?
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Calor
Calculo que os homens casados, no Verão, devam viver com a cabeça feita em água.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
sábado, julho 28, 2007
Viver no Verão
Com este calor, o meu primeiro pensamento, de manhã ao sair de casa, evoca um velho título de Pedro Paixão: viver todos os dias cansa.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
quarta-feira, julho 25, 2007
Adeus, Princesa

Há livros que dão inveja a quem escreve. Adeus, Princesa, de Clara Pinto Correia, é um desses livros. Parece lugar-comum afirmar uma coisa destas - e talvez seja - mas é inevitável: não abundam romances como este nas livrarias portuguesas.
Para começar, temos Joaquim Peixoto, um estagiário da revista Actualidades que é incumbido de ir para Baleizão, uma pequena aldeia alentejana, fazer uma reportagem sobre a morte de um alemão. É a primeira reportagem deste estagiário pouco convicto, que não gosta de falar com pessoas. A morte do mecânico Helmut Schneider, um alemão de vinte e três anos em serviço na Base Aérea da Nato, na estrada que vem de Ferreira, parece estranha. Foi encontrado morto com a cabeça enfiada num tubo de escape de um automóvel que lhe pertencia. Desconfia-se de assassinato. A principal suspeita é Maria Vitória (Mitó), uma miúda de dezoito anos que, fora do seu juízo, confessa que matou o namorado quando este a tentara violar. O primeiro trabalho de Joaquim Peixoto será, portanto, um trabalho de investigação. Será que a rapariga matou realmente o namorado?
Mitó, feia e franzina, é irmã de uma bonita e atraente Vitória Maria, que em tudo lhe é diferente. É bela, desejada, bem-comportada. Mitó não tem ponta por onde se pegue. Além disso, não tem tino. Põe-se na droga. Põe-se com os homens. É má na escola. O pai destas duas irmãs tem o nome de Bernardo Formosinho Rosado e é, como bom homem alentejano do período pós-revolucionário, dirigente do Centro de Trabalho do Partido Comunista Português de Baleizão. É um bom homem. Trabalhador, sincero, honesto, humilde. Perfil soviético. Fica desfeito quando sabe que Mitó era vista nas discotecas e nos bares da região com o mecânico mas, mesmo assim, defende a filha (que só lhe dá desgostos).
O estagiário ao qual compete a tarefa de fazer a reportagem sobre a estranha morte de Helmut, o pobre Joaquim Peixoto, para além de ser pouco convicto e de não gostar de falar, não aprecia os prazeres da mesa e odeia mulheres. «Odiava-as a todas, pronto. Odeio as mulheres.»(p.145) O seu ódio pelas mulheres, porém, não se deve a uma qualquer falta de desejo pelo sexo oposto. Deve-se antes a um sentimento de humilhação que elas lhe dão. Parece que nunca teria hipóteses com nenhuma. Repare-se: «Nessa altura, Joaquim Peixoto tinha já perfeitamente interiorizada a sua triste condição de eterno vencido, e como tal nunca ousaria tentar nem o mais inocente dos avanços.» (p.19) A descoberta de uma resolução para o caso do «alemanito» parece demasiado difícil para tão nublado pretendente a repórter. Sabe-se, no entanto, que não foi Mitó a matar Helmut. Ela bem o queria ter desfeito. E arrepende-se por não ter sido ela a criminosa. Sobre o alemão, sabemos que é da raça nazi, um sujeito da pior espécie. Era um cabresto. Merecia morrer. Refira-se, todavia, que Mitó vivia embevecida com o rapaz que morreu com a boca no escape do seu Ford Escort. Ele é que a tratava mal. Na noite da sua morte, Helmut tratou Mitó especialmente mal. Fez cenas de ciúmes ao vê-la dançando com outros homens. Já depois das quatro da manhã, o casal briga fora da discoteca. Helmut leva uma pancada. Mitó, porém, de nada se lembra. Esta é a versão que fica para a posteridade. Sebastião Curto, amigo de Peixoto, tem uma história diferente: foi a namorada que o matou, foi Mitó. A confissão da rapariga era verdadeira e não loucura, como defendiam o pai e toda a gente. Só que, por interesses corporativos de muita gente associada à rapariga, calhava bem que os culpados ficassem a ser os contrabandistas que assolavam as estradas alentejanas.
Este romance policial, pelo que se viu, não vale tanto pelo desfecho da narrativa mas sim por tudo o que o rodeia. Vale, essencialmente, por Joaquim Peixoto, um homem condenado a não ser jornalista. Quando regressou a Lisboa, a sua reportagem não teve qualquer tipo de sucesso, nem sequer apareceu assinada. Foi aconselhado a ir para Direito, a mudar de carreira. A única coisa que lhe valeu foi o namoro com a dactilógrafa do Centro de Saúde de Baleizão, que, após recusar o rapaz por tantas vezes, vai atrás dele para Lisboa. Um excelente desfecho para os dois, aliás.
Adeus, Princesa, não se contentando com o facto de ser um dos melhores romances publicados em português na década de oitenta, oferece ao leitor uma visão muito bem cuidada daquilo que se passava no Alentejo da reforma agrária, especialmente, quando falamos em quadros mentais. Assim, Baleizão, como qualquer outra aldeia da região, é propícia ao fechamento mental, a opressão é enorme. Todos sabem da vida de cada um. Mitó era frequentemente vista na má vida. Era o estigma da droga (haxixe), do início de uma forma de vida até então desconhecida. Mulheres na noite a frequentarem bares com nome estrangeiro (John Player). Vive-se no medo. Os jovens são criticados pelos autóctones. Não fazem nada. Não querem trabalhar. São ociosos. Pertencem, enfim, a um contexto «rasca». Do ponto de vista social, esta é uma obra muito bem trabalhada. Até do ponto de vista da linguagem das personagens se reflecte o cuidado da autora. As falas coloquiais são muito bem captadas. Não raras são as aparições de expressões como «moinante» ou «bezana». Os alentejanos falam como provincianos. Os revolucionários falam como revolucionários. Cada um dentro do seu estilo.
Como nota final, poder-se-ia argumentar que Adeus, Princesa é um livro que segue uma orientação mais humorística do que negra, ao estilo de um Rubem Fonseca. E não perde com essa inclinação para o humor. Nada mesmo. Só ganha. Por outro lado, se explora as realidades sociais do Alentejo, é para as criticar, para as usar num tom parodiante e muito pouco ligado a realidades partidárias. É com descomprometimento e erudição que Clara Pinto Correia escreve.
Com quase tudo dito, acabo por pegar nas palavras de Helmut. Au Wiederzehen, Prizessin.
[Paulo Ferreira]
Este romance policial, pelo que se viu, não vale tanto pelo desfecho da narrativa mas sim por tudo o que o rodeia. Vale, essencialmente, por Joaquim Peixoto, um homem condenado a não ser jornalista. Quando regressou a Lisboa, a sua reportagem não teve qualquer tipo de sucesso, nem sequer apareceu assinada. Foi aconselhado a ir para Direito, a mudar de carreira. A única coisa que lhe valeu foi o namoro com a dactilógrafa do Centro de Saúde de Baleizão, que, após recusar o rapaz por tantas vezes, vai atrás dele para Lisboa. Um excelente desfecho para os dois, aliás.
Adeus, Princesa, não se contentando com o facto de ser um dos melhores romances publicados em português na década de oitenta, oferece ao leitor uma visão muito bem cuidada daquilo que se passava no Alentejo da reforma agrária, especialmente, quando falamos em quadros mentais. Assim, Baleizão, como qualquer outra aldeia da região, é propícia ao fechamento mental, a opressão é enorme. Todos sabem da vida de cada um. Mitó era frequentemente vista na má vida. Era o estigma da droga (haxixe), do início de uma forma de vida até então desconhecida. Mulheres na noite a frequentarem bares com nome estrangeiro (John Player). Vive-se no medo. Os jovens são criticados pelos autóctones. Não fazem nada. Não querem trabalhar. São ociosos. Pertencem, enfim, a um contexto «rasca». Do ponto de vista social, esta é uma obra muito bem trabalhada. Até do ponto de vista da linguagem das personagens se reflecte o cuidado da autora. As falas coloquiais são muito bem captadas. Não raras são as aparições de expressões como «moinante» ou «bezana». Os alentejanos falam como provincianos. Os revolucionários falam como revolucionários. Cada um dentro do seu estilo.
Como nota final, poder-se-ia argumentar que Adeus, Princesa é um livro que segue uma orientação mais humorística do que negra, ao estilo de um Rubem Fonseca. E não perde com essa inclinação para o humor. Nada mesmo. Só ganha. Por outro lado, se explora as realidades sociais do Alentejo, é para as criticar, para as usar num tom parodiante e muito pouco ligado a realidades partidárias. É com descomprometimento e erudição que Clara Pinto Correia escreve.
Com quase tudo dito, acabo por pegar nas palavras de Helmut. Au Wiederzehen, Prizessin.
[Paulo Ferreira]
Sexo em tudo
É um problema muito grande veres sexo em tudo porque presumes que nem toda a gente veja sexo em tudo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Carroça
Se tens pressa, não andes de carroça. Se só tiveres uma carroça, não tenhas pressa.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
terça-feira, julho 24, 2007
Pó
Comes tanto pó ao longo dos anos que, quando te aparece algo puro para provares, sabe-te ao mesmo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Perfume
Já na cama, formulou com relativa lucidez (péssimo sintoma para o acordado): «Cheguei a uma altura da vida em que o cansaço não serve para dormir e o sono não serve para descansar.»
- Adolfo Bioy Casares, Diário da Guerra aos Porcos
[Paulo Ferreira]
- Adolfo Bioy Casares, Diário da Guerra aos Porcos
[Paulo Ferreira]
Bioy Casares
Após a leitura de Diário da Guerra aos Porcos, posso garantir que já li tudo o que existe de Bioy Casares na nossa língua. Faço essa afirmação com orgulho. Bioy Casares é um grande escritor, provavelmente, é um dos meus cinco escritores preferidos. Logo, é óbvio que sinto um grande orgulho por ter lido duzentas e quarenta e poucas páginas num dia. O melhor que a Cavalo de Ferro me poderia fazer era lançar La trama celeste, El heróe de las mujeres, entre outro livros do falecido escritor argentino.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
segunda-feira, julho 23, 2007
sábado, julho 21, 2007
Work in Progress
sexta-feira, julho 20, 2007
Os amigos da liberdade
Em termos de ciência política, estamos bem. Toda a gente sabe o que quer dizer liberdade. Toda a gente nasceu para a democracia. O primeiro-ministro, inclusivamente, recusa-se a receber lições nessas matérias. É por isso que se consegue viver tão acolhedoramente nesta santa terra igualitária.
[Paulo Ferrreira]
[Paulo Ferrreira]
Dicionário
Existe uma planta chamada «não-me-deixes» e outra chamada «não-me-toques».
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Cat Power
Poeta dezembrista
Ouço, numa apresentação de um livro, um vetusto poeta afirmar que toda a gente escreve no nosso país, mas que quase ninguém o faz com qualidade. Ora, fascina-me ouvir alguém que anda nesta terra há tanto tempo proferir lugar-comum de tão grande dimensão. Parece-me que nem toda a gente escreve. Parece-me que nem toda a gente acha piada a escrever. Parece-me que escrever não dá grande dinheiro. Mais importante: não viria mal ao mundo, se os portugueses se quisessem todos armar em eruditos. Melhor seria se andassem todos a ler e a escrever. Não se diria que a Filosofia ou a História não levam a lado algum. Entre outras coisas.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Sexo
Vêm ao blogue à procura de putas, de vacas. Mandam mails com ofertas de Viagra. Fazem propaganda à pornografia. Conhecem bem os autores deste cantinho.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
quinta-feira, julho 19, 2007
quarta-feira, julho 18, 2007
Sobre uma frase de Akhmátova
Pegas na memória quando estás longe daquilo que já te acompanhou todos os dias. Adormeces quando estás ao lado daquilo que já não está contigo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
terça-feira, julho 17, 2007
Uma expressão
«Julgas que és mais do que os outros?» Esta é uma frase que muita gente cultivada já deve ter ouvido. É uma expressão que implica inveja, traição, mesquinhez, pobreza, tacanhez. Faz parte de Portugal e da sua tendência para os igualitarismos e para as faltas de liberdade. «Aqui não és ninguém!» Realmente.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
O país do papelinho
Para um indivíduo conseguir obter um papel numa repartição pública, é preciso muito tempo de espera e muita sola de sapato gasta. Eu, pelo menos, quando preciso de recorrer ao Estado, fico com os pés e as pernas feitas em farrapos, espero horas intermináveis, percorro corredores que remontam ao velho K., mas falta sempre um papelinho, uma notinha, uma coisinha.[Paulo Ferreira]
Remédio
A ausência é o melhor remédio contra o esquecimento.
- Anna Akhmátova, Prosas Escolhidas e Poema Sem Herói
[Paulo Ferreira]
- Anna Akhmátova, Prosas Escolhidas e Poema Sem Herói
[Paulo Ferreira]
segunda-feira, julho 16, 2007
Partidos de baixo nível
Se dúvidas tinham quanto ao carácter mais do que «estalínico» do PS de José Sócrates, ontem ficou a evidência maior: a campanha de António Costa. Primeiro: os jornalistas encontraram no Hotel Altis alguns militantes bastante peculiares a apoiar Costa, ou seja, velhotes de aldeias que, convidados para estar ali aquela hora naquele dia, não sabiam no entanto ao que iam, literalmente. Segundo: quando Helena Roseta (que, pela sua oposição descarada ao governo e ao seu partido, passou a ser objecto da minha simpatia) fazia o discurso final, o PS voltou a repetir a proeza e mandou António Costa para o palanque, para interromper a senhora, e se não bastava ser Costa o vencedor para convencer as televisões (a dar-lhe o tempo de antena abruptamente), o Primeiro-Ministro ainda deu a cara (sem vergonha) por aquela atitude.
Há partidos que, simplesmente, nem merecem existir. E, depois da nojeira de ontem, ainda menos menos direito concedo, ao PS, para essa existência.
[João Carlos Silva]
Há partidos que, simplesmente, nem merecem existir. E, depois da nojeira de ontem, ainda menos menos direito concedo, ao PS, para essa existência.
[João Carlos Silva]
Nota: não voltar a fazer
Não voltar a deixar sair, involuntariamente, um arroto em público.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Four more years!
Parabéns ao Desesperada Esperança do Bruno Alves, que fez ontem 4 anos de existência (o blogue, não o homem). Diriam os mais paranóicos que isto poderia dizer alguma coisa sobre o destino, ou seja, fazer 4 anos no dia em que o PSD é arrasado nas urnas em Lisboa e um dos filhos de José Sócrates põe de novo o PS na Câmara da capital. Outros dirão que é apenas coincidência. Eu aproveito apenas para tirar o Desesperada Esperança do sabor do momento. Se dependesse de marés, o blogue do Bruno não continuaria tão vivo e importante como sempre foi.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Desesperada Esperança
Quatro anos é muito tempo. Há casamentos que nem uma semana duram. Há crimes que nem um ano de prisão dão. Bruno Alves, um amigo de longa data, fez com que o seu blogue durasse quatro anos. Espero que faça com que dure cinco, seis, sei lá, o tempo que ele quiser. Amizades à parte, o Desesperada Esperança é um dos meus blogues de eleição.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Brincar

Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto parece ser um livro a brincar. Clara Pinto Correia, a autora, pelo seu estilo descontraído e modernaço, também parece levar a vida a brincar. Aprecio isso. Mas claro que não é bem assim. Repare-se: a senhora estudou nos Estados Unidos, tem vida académica, produz (muita) ficção, é (ou foi) cronista, investiga, enfim, tem uma vida intelectual que leva a que não se possa pensar que a brincadeira seja predominante na sua vida. E não é. Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto, um conjunto de pequenos «sermões» realizados com o objectivo de dizer mal de tudo o que se passa de errado no país, é um livro com muita piada. Embora não deixe de ter o seu carácter sério. Toda a crítica informada tem a sua parte séria. Pois bem, Clara Pinto Correia, dentro da sua seriedade, brinca connosco, com a nossa mediocridade, com o nosso provincianismo. Mesmo que me quisesse armar aqui em defensor da moral e dos bons costumes, a verdade é que não posso deixar de me render às evidências. Clara Pinto Correia tem muita razão naquilo que diz. Muito por dizer mal. É bom dizer mal, nem que seja sem razões para isso.
No caso de Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto, não se pode dizer que a autora diga mal só por dizer. Não. Diz mal num estilo simples e corriqueiro. Diz mal daquilo que se fez e não se fez durante o tempo que passou após o 25 de Abril. Conclusão: nada. Não se fez nada. É bom pensar-se nisso com um sorriso nos lábios. É de quem esteve no estrangeiro e regressou a Portugal. Sabe-se que nada vai mudar. Nem é, aliás, preciso sair do país. Basta ler livros. Portugal não dá. É intragável. Mandem-me embora. Eu saio. Quando tiver dinheiro. Mas ponho de lado a minha própria opinião e dou ênfase às palavras da autora: «Ouvi uma vez o frei Bento Domingues defender a tese de que nós já fizemos o que tínhamos a fazer. Já fizemos os Descobrimentos e já foi uma grande coisa. Agora devíamos poder viver todos descansados em sabática perpétua com uma pensão europeia, como a que o D. Sebastião deu ao Camões.» Bem se vê. Brinca-se, falando sério.
Ser do contra. É mau ser do contra sem razões para isso. Quer dizer, não é mau. É bom. É bom dizer mal. Já disse. Repito. É bom dizer mal. Se temos uma aurea mediocritas, como nos diz Clara Pinto Correia, é bom dizer mal. De nós próprios. «Sempre é mais divertido estar a perder batalhas mas ao menos estar a lutar do que estar, pura e simplesmente, à espera do fim.»
Ah, o livro foi publicado pela Relógio D'Água e lê-se numa noite em que a vontade de dormir não venha.
[Paulo Ferreira]
domingo, julho 15, 2007
Pantera na Cave

Amos Oz conta a história de Profi, um miúdo judeu de doze anos «preso» na encruzilhada social, política, bélica e emocional de Israel, em 1947. Em Uma Pantera na Cave, no entanto, o inimigo é o inglês. Cedo Profi chega à conclusão de que, deibaixo daquela sua calma, pode ter uma «pantera na cave», pronta a sair. Mesmo que duvide do elogio que se fazem aos animais perigosos e selvagens, como a pantera ou o tigre ou a águia, enquanto as comparações com animais pacíficos úteis às pessoas (como a mula, o cavalo, o cão) sejam, invariavelmente, insultos. Importante é esta passagem:
- Mas o que fizémos nós para todos nos odiarem? - perguntei ao jantar.
A minha mãe respondeu:
-Por termos sempre razão. Não nos perdoam que, desde tempos antigos, não tenhamos feito mal a uma mosca.
Pensei cá para comigo: «Donde se conclui que não vale a pena ter razão». E também: «Isto explica a atitude do Ben Hur. Também eu tenho razão e não faço mal a uma mosca. Só que agora vai começar a época da pantera».
Amos Oz, Uma Pantera na Cave
[João Carlos Silva]
sábado, julho 14, 2007
Ooby Dooby
O homem macho do Verão é sensacional: um homem de praia, um escaldão, um atleta, um desportista, um sarado, um bonitão, um majestoso lagostim, um camarão-tigre, um lavagante, uma pérola de imbecilidade que apenas se preocupa com a barba de três dias. Um ignorante, um hino ao fim da existência intelectual.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
António Costa
O senhor vai ganhar as eleições para a Câmara de Lisboa. Nada mais natural. Aliás, nada mais sensato. Não deixo, no entanto, de me preocupar com o seguinte: António Costa só me aparece através de fotografias, de cartazes. Não o oiço falar. Provavelmente, serei o único a não ouvir uma palavrinha do senhor, a não saber o que pensa o senhor, a não saber o que deseja o senhor. Acho, muito sinceramente, que António Costa levou demasiado a sério as suas funções de Ministro da Administração Interna. Ficou demasiado secreto, fechado. Só sorri para o beija-mão. Gostaria de saber se esta gente falaria, e como falaria, no caso de o Partido Socialista não ter estado dois anos em glória.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
A mesma
Não sei se é dos ares de Lisboa, mas, nos últimos tempos, as mulheres têm-se parecido muito umas com as outras. Óculos de sol de estilo capacete. Cabelo castanho pintado de loiro. Pele com tons de praia. Verniz vermelho escaldante, como quem diz: não me tocas. Enfim, as mulheres que tenho visto no últimos tempos são todas muito iguais. Vê-se que não sabem quem foi Roy Orbison. Ou que não ouvem Tindersticks. Ou Cohen. Coisas que eu aprecio.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Problema Gillette
Não consigo fazer a barba no Verão por um motivo: se rapar os pelinhos da cara e depois esfregar um after shave, passo o dia todo a transpirar que nem um cavalo lusitano. Não posso fazer a barba. A menos que chova e que eu não transpire que nem um louco garanhão.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Sapatos
O assunto já foi por demasiadas vezes discutido. Os teorizadores não desistem de alarmar a população. Volto, no entanto, a alertar: noventa por cento dos pés femininos não pode pôr os pés em chinelos. É urgente que as mulheres se voltem a calçar. Nem o verniz vermelho escaldante as pode salvar.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Universal
À beira de adormecer, escrevi isto: omnisciente, omipresente, omnipotente. Não me lembro das razões que me levaram a pegar nestas palavras. Mas calculo que tenham que ver com sexo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Repouso
Nem nos locais sagrados se consegue estar bem. Hoje, enquanto acabava de ler mais um conjunto de ensaios de I. Berlin na relva fresquinha da Gulbenkian, fui interrompido por um simpático mas insistente pato, que quase me perseguia até casa.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
quinta-feira, julho 12, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007
Intelectual, fala-me antes do Herder
É tão fácil para um artista ser intelectual, gozando com assuntos tão eruditos quanto o comendador Berardo, o BCP, o fado, o calor, a cultura dos filhos e dos pais, o estado da nação, o estado do mundo, Bush, os americanos, os que fumam, os que não fumam. É mesmo tão fácil ser um idiota.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Artista 3
Um dos colunistas do jornal «Público», Joaquim Fidalgo, é um artista. Nos primeiros ataques das hostes americanas ao Iraque (qual Timor), dizia o seguinte: É Abril, as andorinhas voam. Rebentam bombas no Iraque. Cito de memória. A coisa pode ser um bocadinho diferente. Mas a pincelada é a mesma. É uma pincelada de artista. Por exemplo:
- As crianças brincam no quintal. Hiroshima.
Outro exemplo:
- As árvores bamboleiam-se no rumor verde do dia. Minha querida Palestina.
[Paulo Ferreira]
- As crianças brincam no quintal. Hiroshima.
Outro exemplo:
- As árvores bamboleiam-se no rumor verde do dia. Minha querida Palestina.
[Paulo Ferreira]
Artista 2
Um bom método para apanhar pensamentos no corpo de um artista é, por exemplo, o seguinte:
- Ó artista, andaste a falar dos Estados Unidos nos últimos dias?
Outro exemplo:
- Ó artista, gostas do bushe?
[Paulo Ferreira]
- Ó artista, andaste a falar dos Estados Unidos nos últimos dias?
Outro exemplo:
- Ó artista, gostas do bushe?
[Paulo Ferreira]
Artista
O velho Nelson Rodrigues costumava dizer, entre outras coisas, que artista não serve para pensar. Óbvio. Artista que se ponha a pensar, frita o cérebro e diz disparates. Óbvio. Artista que se preze, não pensa.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Branco 2
Apesar da vontade que tens de dar um mergulho no mar gelado, não vais à praia. Não te deitas ao sol. Não te viras na toalha. Não apanhas escaldão. Não te viras na cama. Não tens dói dói do escaldão. Não te dizem na rua: «tão bronzeado que ele é, tão bom que ele está, que lavagante.» Não te dizem nada.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Sono
O problema desta falta de sono não tem que ver com ausências de cansaço. Tem que ver com demasiados cansaços, com demasiadas corridas, com demasiados caminhos apertados. Não dá para ler, não dá para escrever. Um buraco escuro no fundo do chão.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Duas notas para uma insónia
Quatro e trinta e seis da manhã. O silêncio parece querer espalhar-se pela cidade.
Quatro e trinta e sete da manhã. Não dormes, nunca dormes. Os problemas apertam. Vês o absimo. Cada vez mais perto. Uma garrafa de vinho vazia.
[Paulo Ferreira]
Quatro e trinta e sete da manhã. Não dormes, nunca dormes. Os problemas apertam. Vês o absimo. Cada vez mais perto. Uma garrafa de vinho vazia.
[Paulo Ferreira]
terça-feira, julho 10, 2007
O poder das ideias
Cada leitura de uma obra de Isaiah Berlin deve ser mencionada, quase como se de um feriado se tratasse. Não só pela genialidade da «coisa» mas, de igual modo, pelo peso descomunal com que a cabeça fica após a leitura de cada ensaio. Por exemplo, acabei de ler o ensaio sobre Vico e adorei. Por outro lado, há o factor aspegic.
[Paulo Ferreira]
Gonçalo M. Tavares
Uma página de certos livros vale mais do que bibliotecas inteiras.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Perfeição
Não se estragando nada do que foi feito pela Natureza, está-se a preservar a perfeição.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
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