Reca num cortelho.
[João Carlos Silva]
sexta-feira, abril 20, 2007
Espectador
«Olhava os seres estranhos com a curiosidade dum espectador. Muito embora às vezes eles comessem a isca e sujassem no anzol, nem por isso deixava de se rir como um perdido, se o caso o merecia. No fundo, era um imaginativo sem imaginação. E aplaudia incondicionalmente a dos outros, mesmo quando fazia figura de asno.»
Miguel Torga, Novos Contos da Montanha
[João Carlos Silva]
Miguel Torga, Novos Contos da Montanha
[João Carlos Silva]
quarta-feira, abril 18, 2007
Nota
Quem disser que a natureza é indiferente às dores e preocupações dos homens, não sabe de homens nem de natureza.
- José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis
[Paulo Ferreira]
- José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis
[Paulo Ferreira]
terça-feira, abril 17, 2007
segunda-feira, abril 16, 2007
Jornalismo criativo
Uma palavra de apreço por Vítor Belanciano, jornalista do Público, que me devolveu o gosto de ler reportagens sobre assuntos mais mundanos. Um excelente narrador. Um exemplo de criatividade inofensiva. Só assim se compreende o interesse com que li a reportagem sobre o assalto à mão armada em Benavente e sobre o «dia seguinte», entre «as gentes de Benavente», no dia 9 de Abril.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
domingo, abril 15, 2007
Dar
Quando dás, esperas receber. Se dás e não esperas receber, és um idiota. Um exemplo de idiota: um lírico (leia-se apaixonado).
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
René Rémond (1918-2007)
Apesar de L'Introduction à l'histoire de notre temps (1974) me ter matado várias vezes, aqui fica o registo da morte da personalidade.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
sábado, abril 14, 2007
Comprado, lido e enfiado na estante
Um cheirinho de Segredos do Reino Animal, de Helder Moura Pereira:
Passou por nós este tempo todo, a coisa
ridícula do estão-a-tocar-a-nossa-canção
desaba sobre nós como um trovão.
Passa-nos uma coisa pela cabeça e
lá vamos nós de cabeça meter-nos
na boca do lobo, atirar ao próprio pé,
meter um golo na própria baliza.
[Paulo Ferreira]
Édipo
Quando me doem os olhos e ao mesmo tempo me dói a memória, penso no rei Édipo e no seu castigo.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Cinco contos
Se tivesse pegado numa nota de cinco contos e ta tivesse dado para as mãos, talvez «isto» agora fosse mais que nada.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Razão
Uma coisa que me leva a ser cristão é a ideia de que o Fim será a cura de todos os males.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
sexta-feira, abril 13, 2007
Aborrece
Saber que Helder Moura Pereira não lançará um livro todos os meses. No entanto, Segredos do Reino Animal já dá para a despesa.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Nota
Uma pergunta: como poderá alguém dizer que amou, se o verbo só pode ter a sua aplicação no presente?
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
quinta-feira, abril 12, 2007
Visão
Junto a uma fábrica de pão, um monte de entulho, escória e sucata. Crianças meio mortas de fome andam à procura de pedaços de pão. Encontram uma granada de shrapnel. Brincam com ela. A granada explode.
- Karl Kraus, Os Últimos Dias da Humanidade
[Paulo Ferreira]
- Karl Kraus, Os Últimos Dias da Humanidade
[Paulo Ferreira]
quarta-feira, abril 11, 2007
Minguante nº 5
A Minguante nº5 está já, há bastantes dias, disponível online. Com qualidade cada vez mais melhor. Excepção feita a um texto meu, que também aparece neste número.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
segunda-feira, abril 09, 2007
Intervalo
Ela queria pôr o coração a sestear.*
*Por motivos de falta de inteligência, roubei a palavra a esta senhora.
[Paulo Ferreira]
*Por motivos de falta de inteligência, roubei a palavra a esta senhora.
[Paulo Ferreira]
Mandamento
Fácil seria se o mandamento apenas te obrigasse a amares os teus amigos. Ama os teus inimigos. Outra vez. Ama os teus inimigos. Não pegues numa pedra de arremesso.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Justaposição
Um coração colado a outro coração não faz uma soma de um e um igual a um, que é como quem diz que um homem apaixonado nunca se poderá ver a ele próprio nos olhos de outra pessoa que não veja a sua paixão como ele a vê.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
sábado, abril 07, 2007
Verbo ir
Eu vou, tu vais. Ele vai. Se ele for, não irei (sabendo que irás).
Ele sempre foi, tu sempre foste, eu fui algumas vezes. Agora já não vou.
[Paulo Ferreira]
Ele sempre foi, tu sempre foste, eu fui algumas vezes. Agora já não vou.
[Paulo Ferreira]
Entre a gente imbecil
Éramos, no café, entre a gente imbecil,
Apenas nós os dois adeptos do tal vil
Vício de ser «pró-macho»; e com simulação
Ríamo-nos do parvo, ar de bonacheirão,
De seus amores normais, com a moral à coca.
Punhetas mil fazendo, a desbastar a moca,
À bruta, à tripa-forra, e nisso apostados,
Plo fumo do cachimbo apenas meio velados
(Assim como Hero outrora a copular com Zeus),
As nossas piças, quais pencas e Karrogheus
Assoados à mão, aprazível limpeza,
Em jactos de langonha espirravam sob a mesa.
Paul Verlaine, Hombres*
*(trad. por Luiza Neto Jorge)
[João Carlos Silva]
Apenas nós os dois adeptos do tal vil
Vício de ser «pró-macho»; e com simulação
Ríamo-nos do parvo, ar de bonacheirão,
De seus amores normais, com a moral à coca.
Punhetas mil fazendo, a desbastar a moca,
À bruta, à tripa-forra, e nisso apostados,
Plo fumo do cachimbo apenas meio velados
(Assim como Hero outrora a copular com Zeus),
As nossas piças, quais pencas e Karrogheus
Assoados à mão, aprazível limpeza,
Em jactos de langonha espirravam sob a mesa.
Paul Verlaine, Hombres*
*(trad. por Luiza Neto Jorge)
[João Carlos Silva]
O delírio simbolista

Paul Verlaine (1844-1896), algures na sua vida, perdera a noção da barreira moral. Na vida como na poesia. Caída essa barreira, entrou num mundo estético que estava quase por descobrir. Cada imagem violenta que compunha soava como música. Quase como, normalmente, acontecia com a própria vida de um grande escritor.
[João Carlos Silva]
Ataquem-nos, por favor
A ler o artigo de Victor Davis Hanson, na National Review Online, acerca da relação do Irão com a União Europeia e, inevitavelmente, com a grande potência americana. Hanson tem uma visão ligeiramente diferente da generalidade das pessoas, defendendo a tese do calculismo planeado do governo iraniano. A premissa? O rapto diabólico dos marinheiros britânicos. Fica aqui um excerto significativo (com sublinhados meus):
«It’s probably a good rule to do the opposite of anything the Iranian theocracy wants. Apparently, this government is now doing its darnedest to be bombed. So, for the time being, we should not grant them this wish.
(...)
What should we make of the Iranians’ behavior?
Namely that the country’s leadership is in deep political trouble. The Iranian government is desperate to provoke the West to win back friends in the Islamic world, and to quell growing unrest at home. Subsidizing food and gas, providing billions for terrorists and building nukes all cost money at a time when the state-run Iranian economy is in shambles.
Because of incompetence in their oil industry, the Iranian mullahs have achieved the impossible: Despite having among the world’s largest petroleum reserves, their production is shrinking and they have managed to earn increasingly less petrodollars even as the world price has soared.
While the Iranian theocrats understand that the entire world, including many of their own citizens, is turning against them, they also know that this could change if a Western nation would just attack them. Their strategy seems to be to find a way to provoke someone to drop a few bombs on them, on the naive assumption that such an assault would be of limited duration and damage. Such an attack, they may figure, would earn them sympathy in much of the world .
It is undeniable that the U.S., without either invading or suffering many casualties, could use its air power to send the Iranian economy and military back to the mullahs’ cherished seventh century. But there is no need to do so.
Instead, if the EU would cease all its trade with Iran, and if the West would divest entirely from the country — that is, boycott all companies that do any business with Tehran — the theocracy would face bankruptcy within months.
Even if further escalation were warranted, we could at some future date enforce a naval blockade of the Iranian coast that alone would determine what goods would be allowed into this outlaw regime.
But bomb Iran?»
[João Carlos Silva]
«It’s probably a good rule to do the opposite of anything the Iranian theocracy wants. Apparently, this government is now doing its darnedest to be bombed. So, for the time being, we should not grant them this wish.
(...)
What should we make of the Iranians’ behavior?
Namely that the country’s leadership is in deep political trouble. The Iranian government is desperate to provoke the West to win back friends in the Islamic world, and to quell growing unrest at home. Subsidizing food and gas, providing billions for terrorists and building nukes all cost money at a time when the state-run Iranian economy is in shambles.
Because of incompetence in their oil industry, the Iranian mullahs have achieved the impossible: Despite having among the world’s largest petroleum reserves, their production is shrinking and they have managed to earn increasingly less petrodollars even as the world price has soared.
While the Iranian theocrats understand that the entire world, including many of their own citizens, is turning against them, they also know that this could change if a Western nation would just attack them. Their strategy seems to be to find a way to provoke someone to drop a few bombs on them, on the naive assumption that such an assault would be of limited duration and damage. Such an attack, they may figure, would earn them sympathy in much of the world .
It is undeniable that the U.S., without either invading or suffering many casualties, could use its air power to send the Iranian economy and military back to the mullahs’ cherished seventh century. But there is no need to do so.
Instead, if the EU would cease all its trade with Iran, and if the West would divest entirely from the country — that is, boycott all companies that do any business with Tehran — the theocracy would face bankruptcy within months.
Even if further escalation were warranted, we could at some future date enforce a naval blockade of the Iranian coast that alone would determine what goods would be allowed into this outlaw regime.
But bomb Iran?»
[João Carlos Silva]
quarta-feira, abril 04, 2007
Insulto II
Depois de dizer que um homem é boa pessoa, pode-se insultar de tudo esse homem. Pouco depois, reafirma-se: «mas é boa pessoa».
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Insulto I
O pior insulto que se pode fazer a um homem é dizer-lhe: és muito boa pessoa.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Richard III
Lobby de pressão
Diz-se por aí que o Tiago já perdeu a aposta. O Força de Estilo já está de rastos.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
terça-feira, abril 03, 2007
Sítio ideal
Pelo que descobri, a Ota é um sítio curioso. Se Portugal fosse uma ditadura sul-americana, a Ota seria, provavelmente, o sítio escolhido para fuzilamentos políticos. Como vivemos sob um governo do Partido Socialista, é o sítio «ideal» para fazer um aeroporto novo. Muito bem.
[João Carlos Silva]
[João Carlos Silva]
Uma ilusão
Ia escrever uma espécie de manifesto contra a dra. Odete Santos. Pedindo que alguém me explicasse o fascínio que esta mulher exerce sobre uma boa parte da população. Pedindo a alguém que me prove que ela não anda sempre com duas ou três aguardentes no bucho quando aparece na televisão ou no Parlamento. Sobretudo, gostava que alguém me explicasse o orgulho que ela é para «as mulheres» - o mais inexplicável de tudo, tendo em conta que, se eu fosse mulher, só na fase má do mês a tomaria como exemplo. Trazia todas essas questões na ponta da língua para explaná-las aqui. Mas depois, ao procurar uma imagem condizente da doutora, encontrei esta e abdiquei do manifesto.

[João Carlos Silva]

[João Carlos Silva]
Uma desilusão

Ribeiro e Castro desiludiu-me. Eu gostava dele, da figura, pensei que seria uma lufada de ar fresco na direita portuguesa. Pensava que era mais importante ter um líder, de um partido de direita, que fosse capaz de coçar os tomates em reuniões, em vez de um pretenso gentleman como tenta ser Paulo Portas. Fui perdendo a razão. No último ano fiquei com a certeza: Paulo Portas, a sua energia, o seu timing, e a sua postura em geral são, em larga medida, inultrapassáveis do ponto de vista da eficácia. Ao menos, Portas não chorou quando o «Sim» ganhou no referendo. Eu admito: dei e dou a mão à palmatória. Ribeiro e Castro devia ter feito o mesmo há bastante tempo.
[João Carlos Silva]
segunda-feira, abril 02, 2007
O estado das coisas
Métodos velhos
A ler, o editorial do Expresso deste fim-de-semana, sobre o rapto dos militares britânicos pelo Irão. Ficam aqui alguns excertos (com sublinhados meus):
«(...) Após acusações mútuas, os iranianos decidiram divulgar imagens dos prisioneiros. Entre essas imagens a da militar de Sua Majestade a papaguear um texto escrito pelos seus captores, segundo o qual confessava ter entrado ilegalmente no Irão e dizia ter sido magnificamente tratada (ela e os seus camaradas de armas) pelos carcereiros.
A óbvia violação da Convenção de Genebra, que proíbe o uso de prisioneiros para estes fins, parece nada dizer ao regime de Teerão. (...) Como lidar com este tipo de regimes, com este tipo de dirigentes?
A guerra desastrada no Iraque acabou por dar uma resposta pragmática a uma das hipóteses: a intervenção militar não só não resulta como pode ser nociva. Porém, por muito que isto se proclame e repita até à exaustão, em nada resolve o problema. Há um claro desfasamento entre a linguagem, os códigos morais e o respeito pela vida e dignidade da pessoa com aquela parte do mundo. Que se torna gritante numa sociedade globalizada.
E o pior é que ninguém parece saber qual a melhor resposta do Ocidente para se defender destes ataques.»
[João Carlos Silva]
«(...) Após acusações mútuas, os iranianos decidiram divulgar imagens dos prisioneiros. Entre essas imagens a da militar de Sua Majestade a papaguear um texto escrito pelos seus captores, segundo o qual confessava ter entrado ilegalmente no Irão e dizia ter sido magnificamente tratada (ela e os seus camaradas de armas) pelos carcereiros.
A óbvia violação da Convenção de Genebra, que proíbe o uso de prisioneiros para estes fins, parece nada dizer ao regime de Teerão. (...) Como lidar com este tipo de regimes, com este tipo de dirigentes?
A guerra desastrada no Iraque acabou por dar uma resposta pragmática a uma das hipóteses: a intervenção militar não só não resulta como pode ser nociva. Porém, por muito que isto se proclame e repita até à exaustão, em nada resolve o problema. Há um claro desfasamento entre a linguagem, os códigos morais e o respeito pela vida e dignidade da pessoa com aquela parte do mundo. Que se torna gritante numa sociedade globalizada.
E o pior é que ninguém parece saber qual a melhor resposta do Ocidente para se defender destes ataques.»
[João Carlos Silva]
Escrita sem mapa

Há escritores que nos fazem entrar num estranho corrupio de pensamentos enquanto os lemos. Não há uma história inteiramente perceptível, não há um final à vista, não há um clímax. Apenas um desenrolar errante da escrita. Raul Brandão, em Húmus, é um deles. Temas incertos, pelo menos para mim que nem sempre estou atento à globalidade, à «unidade» dos romances. Uma vila, algumas personagens progressivamente enriquecidas ou reveladas, e a morte. Sempre a morte. «O corpo pede-me terra», repete-se ao longo de Húmus. Aliás, a terra que engole os vivos - ou recebe os mortos, conforme o ponto de vista - é a personagem mais importante do romance, juntamente com a própria Morte: «Os túmulos estão gastos de um lado pelos passos dos vivos e do outro pelo esforço dos mortos». Corpos abandonados pela vida multiplicam-se ao longo da obra-prima de Brandão. «É a morte que regula a vida. Está sempre ao nosos lado», diz o homem. E assim é. Um génio com uma obra de génio, uma obra cheia de morte. Obra essa que nem sequer é romance, mas é o melhor livro que li este ano. Sem perceber muito bem o que é. Diário? Prosa poética? Eu diria algo original: é uma escrita sem mapa.
[João Carlos Silva]
domingo, abril 01, 2007
sábado, março 31, 2007
«to fancy each other»
O amor não se contenta com um sentimento recíproco, mas exige a posse, o essencial, isto é, o gozo físico. A certeza de ser amado não poderia consolar-nos da privação daquela que se ama; e, em semelhante caso, mais de um amante tem dado um tiro nos miolos.
-Artur Schopenhauer, Metafísica do Amor
[Paulo Ferreira]
-Artur Schopenhauer, Metafísica do Amor
[Paulo Ferreira]
sexta-feira, março 30, 2007
Problema
O problema não é um rapaz de quinze anos achar que as raparigas da sua idade são ingénuas. O problema é um rapaz mais crescido pensar que não existem mulheres ingénuas.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
segunda-feira, março 26, 2007
sábado, março 24, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
Dinamite
Foi ao lago pescar: vestiu umas cuecas, pegou numa barra de dinamite e encheu o saco de peixes.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Memória 2
Deixei de comer bananas porque me contaram que o potássio faz bem ao intelecto.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Memória
Disseram-me que existe uma fruta que faz bem à memória. Eu quero uma fruta que apague a memória.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Pistoleiro
Era um homem tão violento que só descascava os amendoins com tiros de pistola.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Metamorfose
Cansado dos males do mundo, um homem pegou numa pistola e matou o cão, a mulher e os filhos. Depois, matou-se. No final, quando já tudo havia morrido, reencontraram-se todos os membros da família (inclusivamente o cão) no céu e foram felizes.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Little Boy 2
Certas explosões (cá dentro) são equivalentes ao que se passou em Hiroshima. Um verdadeiro exagero.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Little Boy 1
Em Agosto de 1945, uma bomba atómica foi largada sobre Hiroshima, no Japão.
[Paulo Ferreira]
Deus
Deus agora não aparece todos os dias. Eu também já não apareço todos os dias a Deus.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
quinta-feira, março 22, 2007
Humilhar
Um leitor encontrou este blogue com a palavra «humilhar». Para que não fique insatisfeito, aqui ficam algumas sugestões para uma possível humilhação:
- Dá-lhe um estalo em frente a todos (também te humilhas);
- Pega num chinelo e açoita-lhe o rabo;
- Manda-a para o reino das panelas;
- Diz que gostas muito dela quando está calada;
- Diz-lhe que só estás com ela por causa dos seus inexoráveis seios;
- Esfrega-lhe a cara com uma tinta que saia com água e chama-lhe nomes (ex: gostas, vaca?);
- Quando ela quiser falar de assuntos sérios (política, futuro, independência), emprega-lhe um beliscão no rabo;
- Apelida-a de matulona, loirona, toira, cavalona. Enfim, trata-a como um animal possante;
[Paulo Ferreira]
- Dá-lhe um estalo em frente a todos (também te humilhas);
- Pega num chinelo e açoita-lhe o rabo;
- Manda-a para o reino das panelas;
- Diz que gostas muito dela quando está calada;
- Diz-lhe que só estás com ela por causa dos seus inexoráveis seios;
- Esfrega-lhe a cara com uma tinta que saia com água e chama-lhe nomes (ex: gostas, vaca?);
- Quando ela quiser falar de assuntos sérios (política, futuro, independência), emprega-lhe um beliscão no rabo;
- Apelida-a de matulona, loirona, toira, cavalona. Enfim, trata-a como um animal possante;
[Paulo Ferreira]
Rugas
Será mesmo verdade que a dor fica para sempre marcada na face, no corpo, nos gestos, nas piadas, nos sorrisos, nas leituras, nos espaços, nos dias de sol, nos dias de chuva, no nevoeiro, no sono, nos sonhos, nos pesadelos, nos filmes, nas músicas, nas almofadas?
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Provérbio
Quem tudo quer, tudo perde.
Por estes lados, a leitura é esta: quem tudo perde, tudo quer.
[Paulo Ferreira]
Por estes lados, a leitura é esta: quem tudo perde, tudo quer.
[Paulo Ferreira]
quarta-feira, março 21, 2007
terça-feira, março 20, 2007
Máquina 1 (5)
Rapar o cabelo quando, no fundo, se deseja apenas internal pacification e external resistance.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Máquina 1 (4)
Máquina 1
Disseram-me hoje que o meu cabelo está máquina um. Talvez tenha sido promovido.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
Um inglês sobre a França
«It seems to me that France mainly perceived Europe as an attempt to affirm and defend its cultural and linguistic hegemony on the Continent. This battle was effectively lost when Europe was enlarged to include Finland, Sweden, and Austria, and French was replaced by English at press conferences in Brussels, because Scandinavians don't speak French. These things are much more important for the French than we normally realize. Europe, for them, nedded to promote the role, culture, and language of France. Today, in my opinion, the French drive for European integration has abated. They have less interest in the process, now that their centrality has been visibly diminished.»
Eric Hobsbawm, On the Edge of the New Century
[João Carlos Silva]
Eric Hobsbawm, On the Edge of the New Century
[João Carlos Silva]
Alegria breve
«Parece que no a causa das coisas já se aceitam apostas de quando este sítio terminará. Ou melhor, de quando terminarei eu com este sítio. (...) Será que também posso entrar na aposta, João?»
Lamento, Tiago, mas há qualquer coisa de ilegal em ter apostadores intervenientes. Até porque a balança das apostas já está bastante desequilibrada. Para o lado mais breve.
[João Carlos Silva]
Lamento, Tiago, mas há qualquer coisa de ilegal em ter apostadores intervenientes. Até porque a balança das apostas já está bastante desequilibrada. Para o lado mais breve.
[João Carlos Silva]
Cabelo
Não tenho cabelo. Olhei-me ao espelho, peguei na tesoura, comecei a cortar. A partir de certa altura, pensei que o melhor a fazer era dar uma geral. Brrrrr, começou a máquina a fazer. Rapei o cabelo. Pela primeira vez, ganhei coragem para rapar o cabelo. Pense-se que rapar o cabelo pode significar um qualquer outro tipo de protesto silencioso. Brrr. Arrepiei-me quando reparei que já não era o Tintim das poupas altas. Ou não. Tenho o cabelo rapado. Pode ser que ganhe respeito.
[Paulo Ferreira]
[Paulo Ferreira]
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