quarta-feira, abril 09, 2008

Definhar

Não sei falar sobre isso mas parece que estamos mais ou menos programados para parar. Quer dizer, para morrer. O corpo e o juízo querem paz e não há mais nada que consiga maravilhar. Dores espalhadas pelo corpo, doença crónica, limitações na alimentação, no movimento, ouve-se mal, vê-se pior, socializar torna-se desinteressante. Acho que chega a altura do cansaço e parar assoma com naturalidade. Ontem uma velha dizia para a vizinha, enquanto cavava à beira da estrada na Aldeia do Futuro, concelho de Grândola, «parar é morrer». Ainda não ligamos a esses ditos de velhos. Eu próprio noto as pequenas alterações que o meu corpo sofre. Depois de um dia de trabalho (longo) o meu corpo cheira pior do que há cinco anos. Mesmo com a farsa necessária dos cosméticos o meu corpo começa paulatinamente a apodrecer.


Samuel Filipe, no Esse Cavalheiro

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