quarta-feira, janeiro 31, 2007

Para te dizer

- Estou?

- Quem fala?

- Sou eu.

- Não quero mais conversas contigo.

- Era só para te dizer...

(bip-bip-bip-bip. Telefone desligado.)

Era só para te dizer, só para te dizer, só para, só para te dizer, começou uma voz a ecoar no céu.

[Paulo Ferreira]

Poema

Um poema de João Cabral de Melo Neto no blogue, pensei.

João Cabral de Melo Neto

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Querer imenso

Tentou segurá-la com as mãos, para que o vento não a levasse para os braços do outro, mas não conseguiu.

[Paulo Ferreira]

Zero

Nem com um blog a conseguiu cativar. Era um zero.

[Paulo Ferreira]

domingo, janeiro 28, 2007

Old phone II

Procura-se pessoa X ou Y na lista telefónica. Mas os números não falam.

[Paulo Ferreira]

Old phone

A lista telefónica não respira.

[Paulo Ferreira]

Coisa II


Bip-bip-bip. Ninguém atende.

[Paulo Ferreira]

Coisa I


O mais antigo meio de procurar a solidão.

[Paulo Ferreira]

Da entrega total

Ele amava-a tanto que só descansou quando ela o mandou pastar.

[Paulo Ferreira]

Terceiros

No amor, certos indivíduos são como os sportinguistas: a culpa é de terceiros.

[Paulo Ferreira]

Frente-a-frente

O pior de um fente-a-frente é a mentira, ou o exagero.

[Paulo Ferreira]

Nostalgia


Ron Jeremy

[Paulo Ferreira]

Aplicação

Soube, há pouco, que determinado indivíduo costuma aplicar uma cachaporrada (mental) na sua esposa.

[Paulo Ferreira]

Ressurreição

Dizer que alguém morreu é igual a pensar numa certa eternidade, numa perda. Torna-se, por isso, estranho dizerem-nos que alguém morreu sem nunca ter morrido.

Vou-me mentalizar de que determinada pessoa está viva.


[Paulo Ferreira]

Beja

Não vale a pena pegar em finas ironias ou em construções elevadas para criticar o «doutor» primero-ministro. Basta dizer: aeroporto de Beja. Mértola seria melhor.

[Paulo Ferreira]

sábado, janeiro 27, 2007

Central Park


Para um bom fim-de-semana.

[Paulo Ferreira]

Óbvios ululantes, cabras vadias e outras observações

Já enjoa ver artigos começados com «Nelson Rodrigues dizia que toda a unanimidade é burra.» Faz-me lembrar os tempos em que me queria tornar num doutrinador.

[Paulo Ferreira]

My 2008



Rudolph W. Giuliani

[João Carlos Silva]

Antigas e novas andanças do demónio

Via Desesperada Esperança, um excelente artigo de Gerard Baker na Times Online sobre um dos meus ódios de estimação. Vale muito a pena a leitura. Um exemplo de que «lá neles», lá fora, afinal sempre há quem critique abertamente alguém, que não George W. Bush («nem os americanos gostam do Bush, pá!»), e daí resulte um belo pedaço de prosa. Fica um excerto:

«Fifteen years ago there was once a principled, if somewhat rebarbative and unelectable politician called Hillary Rodham Clinton. A woman who aggressively preached abortion on demand and the right of children to sue their own parents, a committed believer in the power of government who tried to create a healthcare system of such bureaucratic complexity it would have made the Soviets blush; a militant feminist who scorned mothers who take time out from work to rear their children as “women who stay home and bake cookies”.

Today we have a different Hillary Rodham Clinton, all soft focus and expensively coiffed, exuding moderation and tolerance.

To grasp the scale of the transfiguration, it is necessary only to consider the very moment it began. The turning point in her political fortunes was the day her husband soiled his office and a certain blue dress. In that Monica Lewinsky moment, all the public outrage and contempt for the sheer tawdriness of it all was brilliantly rerouted and channelled to the direct benefit of Mrs Clinton, who immediately began a campaign for the Senate.

And so you had this irony, a woman who had carved out for herself a role as an icon of the feminist movement, launching her own political career, riding a wave of public sympathy over the fact that she had been treated horridly by her husband.
»

[João Carlos Silva]

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Enciclopédia do machista

- Bandarilheiro : sujeito com jeito para a algazarra, para o chinfrim;

- Escabeche: zaragata;

- Griso: frio;

- Grise: espécie de tecido antigo de cor pardacenta (significado comum). Forma de dizer frio em certas aldeias mais agricultadas;

- Tranca: os homens têm tranco. Parece que certas mulheres têm tranca;

- Amanhar: lavrar, agricultar, Amanha-te! ;

- Agadanhar: lançar o gadanho a, roubar, pôr as unhas;

- Pincel (molhar o): alguns homens ficam mais excitados ao aplicarem esta expressão em relação ao elemento feminino;

- Trincha: pénis, supostamente, grande;

- Faina: azáfama. Ando cá numa faina!;

- Descangalhar: arranjar;

- Espilrar: espirro de grande intensidade;

- Passarinho (ser): um homem dizer que outro homem não vale nada. Exprimir inveja. O gajo saiu-me um passarinho!;

- Berro (dar o): quem morre, dá o berro;

- Cantar: olha-me só o cantar do carro!;


- Bicho (tocar ao) : masturbar-se;

- Amortecer: implica uma certa violência. Amortecia-lhe o focinho!;


-
Pitéu: o petisco mais apetecido;

- Acepipe: manjar delicado;

- Langonha: sujeito mole. Visgo;

- Amargalhar: tocar ao bicho, mas de forma mais sentida, de acordo com o carpe diem;

- Amarfanhar: maltratar. Tens a fronha toda amarfanhada!;

- Fronha: cara;

- Mimo: rabo;

- Pacote: rabo;

- Veneno: indivíduo com tendências para manipular os mais fracos;

- Berbigão: peixe na costa, mulheres em grupo;

- Farfalho: pieira, limalha;

- Fanar: roubar;

- Cegar: perder a racionalidade durante um curto espaço de tempo. Naquele minuto em que a matei, estava cego!;

- Cagada: coisa fácil, o óbvio;

- Trinta e um: alhada, sarilho, salganhada, chouriçada;

- Malha (dar uma): murro, pontapé. Levei cá uma malha!;

- Estoiro (dar um): malha com mais intensidade;

- Chinfrim : algazarra;

- Pandã: o mesmo que chinfrim, mas mais refinado;

- Fandã: pequena variação da anterior. Chinfrim mais bravo;

- Rodízio: circo, palhaçada. Como é que fizeste esse rodízio? ;

-
Chavascal: barulho ;

- Chiqueiro: lugar imundo;

- Regueifa: fogaça.

[Paulo Ferreira]

Azar

O meu espelho partiu-se em seis bocados. Acreditando na superstição, enfrentarei quarenta e dois anos de azar, que, somados aos meus vinte e dois de existência, mais se parecem com um belo mas sempre triste sessenta e quatro. Com sorte, não sobreviverei até aos tempos de menor azar.


[Paulo Ferreira]

O estado das coisas



Marcel Duchamp, Fountain, 1917

[João Carlos Silva]

Música em tempos de guerra

Maria João Lopes Fernandes, no Insónia, recupera/reformula as velhas questões de George Steiner: «Como foi possível Josef Kramer, em Birknau, matar dezenas de pessoas num dia e tocar Schumann no piano a seguir? Poderá qualquer amante de música ser um criminoso?». Num excelente post ensaístico, a ler, sobre o respeito que a música e a arte exigiam mesmo no contexto do Holocausto. E, sobretudo, o respeito que Alma Rosé exigia: «Será que Alma Rosé acreditava que a música poderia tornar os seres humanos melhores, mesmo aqueles monstros no campo de concentração? (...) Nunca o saberemos; sabemos apenas que se algum SS se ria ou fazia um julgamento durante uma actuação, ela parava a música, dizendo que não se podia tocar naquelas condições e nunca foi punida por isso».

[João Carlos Silva]

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Uma abelha na chuva



Até no escuro se bate com a cabeça na verdade.

- Carlos de Oliveira

[João Carlos Silva]

Referendos #4

Lobo lobo lobo! Habituados a falsos alarmes, já ninguém acreditava na honestidade de Pedro. É lobo, gritava o rapaz, para salvação de todos, mas deixaram-no morrer sozinho.

[João Carlos Silva]

Referendos #3

Abraçados, corriam para o comboio europeu. Mas corriam a pé, de chinelo sonhador.

[João Carlos Silva]

Referendos #2

Sim. Mas quem diz que sim tem de saber porque diz que sim, diziam os que diziam sim. O homem dizia que sim por gosto. Mas tiraram-lhe todo o paladar da boca.

[João Carlos Silva]

Referendos #1

Procurava-se a modernidade como quem procura a felicidade. «É possível se todos acreditarmos. É possível».

[João Carlos Silva]

Steve Vai



E ele foi.

[João Carlos Silva]

Enciclopédia (curta)

- Chinfrim : algazarra;

- Pandã: o mesmo que chinfrim, mas mais refinado;

- Fandã: pequena variação da anterior. Chinfrim mais bravo;

- Rodízio: circo, palhaçada. Como é que fizeste esse rodízio? ;

-
Chavascal: barulho ;

- Chiqueiro: lugar imundo;

- Regueifa: fogaça;

continua..

[Paulo Ferreira]

terça-feira, janeiro 23, 2007

De coisa antiga

Rasurado não é arrumado.

[Paulo Ferreira]

Idiota

Bastaria assinar por baixo. Querem ver?

[Paulo Ferreira]

Da palavra

Como se fará a guerra pela palavra?

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Perfume do indivíduo


To be or not to be


[Paulo Ferreira]

O não-eleitor 4

Não votava, ponto, não queria mais conversas sobre o assunto. Porém, se insistissem muito para que se explicasse sobre aquilo que o levava ao silêncio, ele falava. Mas pouco.

[Paulo Ferreira]

sábado, janeiro 20, 2007

O não-eleitor 3

Para que serve um parlamento, quando uma questão como a do aborto vem para a votação dos 100 melhores portugueses?

[Paulo Ferreira]

O não-eleitor 2

Aborto sim ou não talvez, qualquer coisa que diga que uma resposta pode alterar a ordem das coisas.

Mas nada rebenta, nada rebenta. Se ao menos me dessem uma granada.

[Paulo Ferreira]

O não-eleitor

Nunca tinha votado, nunca tinha olhado para a política com olhos de quem pode transformar o mau em bom, o péssimo em óptimo. Chamavam-lhe frustrado mas ele não se importava.

[Paulo Ferreira]

Fiama: 1938-2007



A ler esta súbita notícia.

[João Carlos Silva]

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Erudição

Karkai, erudito, afirma não ver televisão. Nem um programa? «Nenhum!». Agora, apenas interpreta os astros, diz Karkai.

[João Carlos Silva]

Coleccionismo II

Nota: Gil Vicente em 83º e António Lobo Antunes em 82º. Hélio Pestana em 79º. Quem?

[João Carlos Silva]

Coleccionismo

Não perdi o sono por causa dos «Grandes Portugueses». E estas brincadeiras valem o que valem. Mas admito que é uma das melhores formas de recenseamento que já vi no nosso país, digna dos tempos prósperos de velho Marquês. À falta de meios e pessoas para conhecer Portugal, põe-se a televisão, e a massagem no ego que é poder votar no quer que seja, a trabalhar para a nossa apetência para rir de nós mesmos.

Um exemplo: gostaria de tentar encontrar as pessoas que puseram Maria do Carmo Seabra a meio da tabela. Não só é notável o número de pessoas que se devem ter lembrado de votar nela, como é ainda mais notável o número de pessoas que simplesmente se lembraram dela.

[João Carlos Silva]

Trimalquião

Petrónio bem sabia que um homem rico, que expele ventosidades sonoras pelo ânus, não pode ser um bom líder.

[Paulo Ferreira]

Aquiles

Poderá o homem perfeito morrer pelos calcanhares?

[Paulo Ferreira]

Helena (de Menelau)

Dizer que a história dos troianos começou em mito não mais é do que fazer uma bela abordagem ao tema mulher.

[Paulo Ferreira]

Biografia literária



Francisco Rodrigues Lobo (Leiria, 1580 — Lisboa, 1622) morreu afogado no Rio Tejo.

[Paulo Ferreira]

Frente

Da frente para a frente, dos lados para a frente, das voltas, dos círculos para a frente, da alucinação para a frente, da obsessão para a frente, das frentes para a frente. Tudo na obra-prima-à-frente.

A frente é uma trincheira, uma nulidade insidiosa. O AMOR (poderia ser poema). A frente como sentimento não-pensante. Tu (pedra que não fura mas fere).

[Paulo Ferreira]

Anagrama

Todos os caminhos vão dar a Roma.

[Paulo Ferreira]

terça-feira, janeiro 16, 2007

Mãos ( breves notas)

1. Observando as mãos se compreende o vício. Por cima dos ossos, na pele, cai o fumo do prazer, da droga nicotina (alcatroada).

2. Observando as mãos se verifica que o cigarro tem a mesma capacidade de encarquilhar que o banho demorado.

3. Observando o que parece mas não é, as mãos, se compreende a erudição da não-vida, da morte. Lá está o livro, ou a sua marca nos dedos, a indicar que tantas falhas estão por suprir.

4. Através das mãos, ou da sua observação, se vê e se cega. O olhar é um autêntico não ter jeito para nada que vá para além do vago, do inseguro, da palavra-ideia.

[Paulo Ferreira]

Loucura

Uma mulher, que se queixava do peso dos seus seios, foi ao médico pedir para que lhe fossem colocadas duas mãos nas suas paredes ondulantes. Uma loucura.

[Paulo Ferreira]

Desinspiração

Escrever duas páginas e não acertar numa única linha.

[Paulo Ferreira]

O «anjo pornográfico» revisitado

A ler os pequenos contos de Luís Vernando Veríssimo no último Expresso, do dia 13. A ver se não lhe soará a algo familiar. Não tivesse já existido um Nelson Rodrigues e um Miguel Esteves Cardoso (inconfundíveis, respectivamente, na ficção e na crónica), eu diria que Veríssimo era ambos:

Justino. Todos o chamavam de «Justo». E ele era. Um homem sério, ponderado, um paradigma moral. Tanto que Gelson, um dos seus admiradores, toda vez que o via na rua, gritava:
- Paradigma! Paradigma!


[João Carlos Silva]

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Processo de Bolonha

Criança que está na escola é criança que não está a trabalhar.

[Paulo Ferreira]

sábado, janeiro 13, 2007

Mal IV

«Sermos ignorância» é uma bonita forma de explicar às crianças que a culpa é dos genes, que, no fundo, o acto de nascer já é, em si, um acto falhado.

[Paulo Ferreira]

Mal III

O mal não é apenas resultado da vontade de bater, do ódio visceral. É também uma soma de ignorâncias que se vão acumulando e multiplicando, até se tornarem vida e corpo.

[Paulo Ferreira]

Chave

Ignorância + corpo = transubstanciação?

[Paulo Ferreira]

Moleskine:

Objecto demasiado caro, que apenas serve para riscar (e apagar) sonhos.

[Paulo Ferreira]

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Humor + metáfora = greguería

Quando a navalha do barbeiro apara a nuca, o cliente guarda um minuto de silêncio.

É na maneira de esmagar a beata no cinzeiro que se reconhecem as mulheres cruéis.

O cego mexe a sua bengala como se tirasse a temperatura à indiferença humana.


- Ramón Gómez de La Serna, Greguerías

[Paulo Ferreira]

Amor quilométrico

Ela padecia de um amor anacrónico: Savonarola era todo o seu sentir.

[Paulo Ferreira]

Mal II

Quando saía à rua, vestia um impermeável, já que acreditava que a natureza do Homem era eminentemente má e, por conseguinte, contagiante.

[Paulo Ferreira]

Mal I

O mal pega-se como a peste.

[Paulo Ferreira]

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bilhete postal (versão «I wonder why»)

Poderias ter tido um pequeno mundo neste grandioso universo sentimental, mas preferiste um Golf Tdi equipado a la latagão.

[Paulo Ferreira]

Abelhas

Zunzum?, perguntou uma abelha a outra. Zunzum, respondeu a outra. O menino, que cheirava as flores, nem tempo teve para correr.

[Paulo Ferreira]

Kamasutra III

Quem nada poupa, tudo entrega.

[Paulo Ferreira]

Kamasutra II

Violenta existência simultânea.

[Paulo Ferreira]

Kamasutra I

Consciencialização de que é impossível aniquilar o outro.

[Paulo Ferreira]

Uma política, digamos, europeia

Os táxis vão parar uma vez por semana.

[Paulo Ferreira]

«Giorgio loves Carolina»

Uma coisa: só deveriam escrever cartas de amor aqueles que as sabem escrever e esconder.

[Paulo Ferreira]

Falo

Não sabia o que significava «falo» e perguntou ao professor: falo, o que é? Apesar de ninguém lhe ter respondido, todos se riram. Certos lexemas levantam vontades.

[Paulo Ferreira]

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Jorge Costa e Aloísio


Grandes eram os amigos que faziam de parede contra exércitos de lata. Se João de Barros fosse deste tempo, provavelmente, colocaria os amigos no maravilhoso mundo da (imaginária) glória imperial portuguesa. Mas nem nos livros ficarão, nem sequer nos registos de contabilidade de um qualquer empregado de escritório. Vitórias contra exércitos de lata têm como resultado o esquecimento dos heróis.

[Paulo Ferreira]

Clássicos modernos #3



João Miguel Fernandes Jorge foi para mim, por muito tempo, apenas mais um nome de poeta português a ler em tempos próximos. Tempos próximos que foram sempre adiáveis, adiáveis, adiáveis. A espera foi negligente, até ter pegado em A Pequena Pátria, e descobri, num livro (de antologia, penso) que muito provavelmente nem será um dos melhores do poeta, mas que ainda assim reúne excelentes poemas de alguém que sabe escrever poesia, sem sombra das dúvidas. Miguel Esteves Cardoso dizia que João Miguel Fernandes Jorge era o melhor poeta português vivo. Pensei que era a amizade a falar mais alto. Mas não era.

Breve questão do ser português

António nunca chegou a triunfar.
Miguel foi banido. Pedro morreu
pleno de bondosa sabedoria.
Carlos assassinado e os jovens
príncipes pereceram
apesar de Manuel ter sido rei
dois anos lhe chegaram de experiência
fértil e clara.
Eis o teatro das acções humanas, a
vida portuguesa: um campo
de paixões
forças brutais
artes sem qualquer finalidade duradoira.


[João Carlos Silva]

Relógio

Não anda, o relógio. O tempo pára em momentos importantes, que acabam por não ser assim tão importantes, uma vez que não se dá a devida atenção àquilo que, apesar de ser tudo, acaba por ser nada. Só depois, no nada, no esgotamento dos segundos que já não restam, é que o tempo se move. Mas, aí, já é demasiado tarde.

[Paulo Ferreira]

Clássicos modernos #2



Philip Roth. É difícil parar de ler o homem. A dada altura, diz isto sobre a escrita: «It would be nice, particularly in the presence of the needy, to have pure disinterested motives like everybody else, but, alas, that isn't the job. The only patient being treated by the writer is himself.» (The Anatomy Lesson)

[João Carlos Silva]

Clássicos modernos #1



Fez 60 anos na segunda-feira.

[João Carlos Silva]

terça-feira, janeiro 09, 2007

Ricardo Rocha

Mudou de penteado e achou-se bonito. Mas era quase tão feio quanto a palavra edredão. E limpava, e arrepiava e arreliava. Limpa! É minha! Golo para o adversário do pequeno figo.

[Paulo Ferreira]

Elliott Smith

Pac-pac foi a sua última canção. Nunca ninguém a ouviu mas ela estava lá. Pac-pac no boom-boom. Foi assim que a arma branca lhe bateu à porta. Pac no coração.

[Paulo Ferreira]


Simão Sabrosa

O rato corria que nem um louco atrás do queijo que sempre foge. Mas só tinha cassetes para mostrar no estrangeiro. E um peito esticado. O queijo sempre fugia. Sempre fugia. Adeus, que me embora vou, dizia por vezes o pitéu. Ai.

[Paulo Ferreira]

Costinha

Um goleiro não se conseguir fixar à linha de baliza, deixando a bola sempre redonda entrar, entrar e entrar. A culpa é do cigarro, que queima. Apre!

[Paulo Ferreira]

Bandarilha

Já não sou quem era. Quem nunca fui, nunca serei. Mas é mentira, tudo mentira, porque sou quem era, um nunca ter sido.

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Vida breve

Escreveu um livro, plantou uma árvore e fez um filho. Depois, foi viver a vida.

[Paulo Ferreira]

Trono

Um homem, que se queria casar com uma bonita rainha, teve azar na vida: foi morto por um rei.

[Paulo Ferreira]

domingo, janeiro 07, 2007

Circulação

Um erudito do século XVII, Duarte Ribeiro de Macedo, diz-nos algo: A circulação de dinheiro no reino deveria ser como a circulação de sangue no corpo.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 13

Pangloss acaba a concluir que vive num belo mundo.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 12

No final, Cândido resigna-se a um mundo violento (ao lado da sua feia mulher).

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 11

Que prazer pode haver em nada apreciar? (Voltaire, Cândido ou O Optimismo)

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 10

Inglaterra. Choque com a gratuitidade da violência, com as loucuras da guerra entres ingleses e franceses.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 9

Ao dizer ao Padre barão que se deseja casar com a sua irmã, este revolta-se e Cândido vê-se obrigado a matá-lo.

O melhor dos homens levava três homens mortos. Dois deles eram padres.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 8

Cândido, o puro, mata um prelado e um judeu.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 7

Depois do terramoto (Lisboa, 1755), assiste-se a um Auto-da-fé. Pangloss é enforcado, Cândido é açoitado.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 6

Naufrágios. Mortos.

Pangloss: Se um universo existe, é necessariamente o melhor dos universos. (Voltaire, Cândido ou O Optimismo)

[Paulo Ferreira]

A ler

O que o Bruno tem escrito nos últimos dias.

[Paulo Ferreira]

Conversa

Um amigo disse-me que nunca fui centro de conversas. Apesar de me ter parecido bom sinal, não fiquei contente.

[Paulo Ferreira]

sábado, janeiro 06, 2007

Sobre optimismo 5

Na Holanda, Cândido pede esmola. O Barão Thunder-ten-Tronckh está na miséria. Os Búlgaros têm mau feitio.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 4

Visões de Cândido: miolos espalhados pelo chão, braços e pernas cortadas.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 3

Entre os Búlgaros, Cândido leva quatro mil bastonadas.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 2

Pangloss demonstrava que neste melhor dos mundos, o castelo do senhor Barão era o mais belo dos castelos.

Tendo tudo sido feito para um fim determinado, tudo se dirige para o melhor dos fins. (Voltaire, Cândido ou O Optimismo)

Cândido acreditava.

[Paulo Ferreira]

Sobre optimismo 1


Juízo recto, espírito limpo. O nome Cândido é exemplo disso.

[Paulo Ferreira]

Sobre prémios

Dr. House: Nobel invented dynamite. I won't accept his blood money.

[João Carlos Silva]

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Disposição mental:

Na orla do boato político, da piada fácil, da insensibilidade literária.

[João Carlos Silva]

Determinismo

Ele era um homem atinadinho, lendo os Renascentistas como mandam os sábios. Por descuido seu, ou ingenuidade típica da tenra idade, deixou-se dormir. Ao acordar, viu-se na idade moderna. «Ficarei por cá», disse, «evoluirei de novo».

[João Carlos Silva]