segunda-feira, dezembro 24, 2007

Na Consoada, acampar no Cambodja



Antes do Pai Natal chegar, ainda há tempo para exprimir aqui a minha gratidão para com Rui Ramos por nos ter trazido as palavras sábias de Luís Filipe Menezes. É de louvar, sobretudo, a coragem e paciência de Rui Ramos ao mergulhar no livro Coragem de Mudar, da autoria da referida personagem política. Por exemplo, esta passagem do artigo matou-me a sobriedade cinzenta de Consoada: «O livro de Menezes inclui uma entrevista especialmente reveladora sobre a sua pessoa. Não me refiro à pessoa privada, que não nos deve interessar, mas à sua pessoa pública, ou mais exactamente: à imagem que ele gostaria de dar de si próprio. Eis o que descobrimos: "sou capaz de fazer dois mil quilómetros num fim-de-semana para ver uma exposição". Ou isto: o "cosmopolitismo para mim é navegar ao luar nas Marquesas, é entrar no Triângulo Dourado e acampar no norte do Cambodja" (p. 21)». Ou então, também podemos reflectir neste nostálgico devaneio de Menezes: «"Há dois anos atrás, algures no deserto de Omã, deitado ao luar a olhar para as estrelas, tive tanta pena que estas pseudo-elites liderantes do meu Partido, cujo único deserto a que chegaram nunca está a mais de dez quilómetros da sua casa, que nunca tiveram frio à noite no deserto, que nunca tiveram medo de um tubarão..." (p. 44)».

Muito bom. Apenas ultrapassado em qualidade pela resposta do líder do PSD, em entrevista no Expresso, quando lhe perguntam o que achou deste artigo de Rui Ramos: «mas esse senhor não terá filhos?». Só por isto, Menezes já merecia o meu voto de confiança. Toda a gente gosta de comediantes, e ninguém leva a mal a parvoíce. Agora começar a fazer política a sério? Isso é que eu nunca lhe perdoaria.

domingo, dezembro 23, 2007

Xmas

A Causa das Coisas deseja que o leitor tenha um Feliz Natal. E, para quem não aprecia muito o Pai Natal, então deixo também um conselho: aproveitar a quadra para ouvir boa música, como a que é tocada pelas únicas boas pessoas a vestir de vermelho.

O estado das coisas



Entrar numas merecidas férias (o que é bom é sempre merecido) depois de dez dias sem fazer a barba.

domingo, dezembro 16, 2007

Argumentos pessoais para a «via alternativa»*

«O que tem Obama de novo? Como o próprio Sullivan o diz: His face. A sua cara. A sua miscelânea. O que ela representa. O que esta significa para os inimigos recentes da América. Nascido no Havai, filho de pai queniano e mãe americana, Obama personifica a abertura do ideal americano às preocupações do mundo. A busca de uma vida melhor e, mais importante que tudo isso, a possibilidade de essa vida melhor ser encontrada na América. O país onde até um mestiço pode ser o homem mais poderoso do planeta. Haverá , de acordo com Sullivan, melhor mensagem para um miúdo que viva no Paquistão?»

André Abrantes Amaral, O Observador

*«via alternativa»: em quem votar quando não se vota em Giuliani

O melhor confronto possível



Giuliani vs. Obama. O melhor confronto possível para 2008 (é sobretudo importante que a hipótese democrata seja Barack Obama e não Hillary Clinton). É o meu «pré-desejo» presidencial para o novo ano.

Byblos



Fui à Byblos e já lá gastei dinheiro. Gostei muito do espaço e, sobretudo, da parte da literatura estrangeira (a portuguesa, de facto, está ainda fraquinha em comparação com muitas livrarias de Lisboa, da «velha guarda»). Fiquei com vontade de lá voltar. Hei-de continuar a ir regularmente, por isso mesmo. E bardamerda para quem acha que é populareco gostar daquela livraria. Nem sempre é preciso cheirar mofo nos livros e nas estantes para se ser um leitor fiel. Acho que a Byblos tem o seu espaço no mundo das livrarias em Portugal.

sábado, dezembro 15, 2007

Doblagens revolucionárias



Os desenhos animados dobrados são a maior parvoíce jamais criada pelo ser humano. É qualquer coisa como pintar sorrisos nas figuras do Guernica do Picasso. Apercebo-me disto no momento em que dou com o facto deste novo filme de animação com abelhas vir a ser dobrado para português. Ora, por duas coisas isto é terrível: primeiro, porque perder a oportunidade de ouvir Seinfeld (mesmo numa situação que não traz grande piada) é torturante para uma criança no futuro; segundo, porque ensina às crianças o dever de «não ler» as legendas, logo condenando-as às telenovelas do Tozé Martinho; terceiro, porque simplesmente trata as crianças como estúpidas.

Veja-se agora um PREC mais apertado no controlo televisivo. Imagine-se, por exemplo, o que seria ver desenhos animados do Tom Sawyer com controlo popular. «Desenhos animados para o povo», justificar-se-ia. É preciso dar ao povo as ferramentas para compreender o mundo e os desenhos animados. E, já agora, que também não custa nada, aproveita-se para reeducá-lo.

Não gostaria de ouvir Tom Sawyer, por exemplo, a convencer os amigos e vizinhos a pintar a cerca da tia Polly porque «o trabalho para bem dos outros dignifica o homem e a sociedade». Já não seria uma cena genial em que o Tom convence os amigos a pintar a cerca (terrível tarefa) enganando-os pela inveja - diz que prefere fazer aquilo a brincar - mas sim uma cena em que Tom realmente prefere trabalhar do que brincar. «Eh Tom, que estás a fazer?» «Estou a pintar a cerca.» «Deve ser muito chato.» «Não. É óptimo e dignificante, como nos ensinou o Camarada Vasco.» «Porque não me disseste isso antes? Dá-me já uma trincha, Tom».

Seria feio, isso sim, ver o tratamento dado a Huckleberry Finn. Huck é um rapaz preguiçoso e sem maneiras. Come e dorme quando pode e quando quer, sem regras mas sempre pela lei da necessidade. Vem de uma família destroçada e, logo, aprendeu a viver segundo as suas próprias regras. Uma boa alma, no fundo. Mas Huck chegaria ao pé do Tom e da cerca e começaria o controlo operário. «Eh Tom, estás a pintar a cerca?» «Claro, o Camarada Vasco quer isto pintado até ao fim do dia.» «Eu não faço isso, vou mas é jogar ao pião». E pronto, tudo está bem quando acaba bem. Huckleberry Finn, no fundo, é a representação de um perfeito reaccionário, afecto a cada um de nós, por razões que variam de pessoa para pessoa. Todos nós somos reaccionários, mas só uma parte escapa ao controlo.

No fundo, é o que se passa com os desenhos animados. Em todos eles, há uma ou outra personagem que, mesmo com as doblagens da década de 70 portuguesa, escaparia ao controle. Caso do Huck, que não deixa levar pelas palavras propagandistas de Tom, claramente alterado pela controleira «tia Polly». Corajosa e louvável atitude que não teria, por exemplo, o rato Pompom, de Dartacão. Rato esquivo e matreiro, rapidamente entregava os Moscãoteiros à PIDE do Cardeal Richelieu. Enfim, atitudes contra-revolucionárias.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Às avessas



Portugal estabelece relações de amizade com Putin, Chávez e José Eduardo dos Santos. Dezenas e dezenas de ditadores africanos corruptos juntaram-se em Portugal para dois dias de férias. José Sócrates é primeiro-ministro de Portugal. O melhor jogador português do momento é um cigano. E depois venham-me dizer que Portugal não é um país às avessas.

O estado das coisas

Entraves

Querer livros que estão a 19 euros nas livrarias.

Inédito

O meu amigo Bruno, pela primeira vez na vida, deu um beijinho ao Portas.

A vida na aldeia: #1- Segurança pública



As pessoas cruzam-se numa estrada do interior (isto é, do «interior do Portugal profundo») com um carro da GNR e pensam: «lá vem a polícia local». Enganam-se. A GNR é, realmente, uma figura da autoridade fora das cidades, mas não é a polícia local. É mais, digamos, uma espécie de FBI das localidades. O Bureau das vilas. Aliás, a GNR desempenha um papel essencial na resolução dos casos mais bicudos das pequenas localidades - disputas de heranças, roubo de gado, mutilação de santinhos na paróquia -, sempre com grande profissionalismo e postura. Isso ninguém lhes pode negar. Mas não é, de facto, a força de segurança preferida das pessoas.

A força de segurança que mais apela ao comum português da vila/aldeia é outra. Face ao visível afastamento moral entre a Guarda Nacional Republicana e o cidadão honesto, os portugueses manifestam-se escolhendo como polícia preferida não a GNR, a PSP, ou a Securitas. O português sóbrio escolhe, isso sim, o Campino como principal agente para guardar o seu dia-a-dia.

O campino é objecto do mais sincero amor do português da aldeia. Fresco, modesto e trabalhador, o campino mantém a austeridade e o visual dos seus antepassados de gerações e gerações atrás. E as razões estão aí debaixo do nariz, senão veja-se: colete encarnado, mostrando coragem perante o touro mais bravo; bota de montar, claramente pondo a nu o sangue azul dos seus bisavós; camisa branca que nunca suja (Don Johnson no Miami Vice também vestia um fato branco que, mesmo no meio do mais feroz dos tiroteios, nunca se sujava); uma versátil faixa vermelha como cinto que, no Inverno, também serve de cachecol, para proteger o agente prevenido; o barrete verde, que não envergonha nenhum soldado de elite e que, devido às suas parecenças com o barrete do Noddy, convence as crianças da bondade do campino; e, finalmente, o pampilho, pau lutador da maior modernidade, que assume simultaneamente a classe e a virilidade do dito agente da autoridade.

Imagine-se o leitor, por exemplo, em Arruda dos Vinhos. Quereria o leitor ser parado em plena estrada por um GNR barrigudo, de bigode farfalhudo, de botas de montar (nunca percebi para que são precisas botas de montar se a GNR só anda de jipe) e de boné a tombar para a testa? Não me parece. Nem o leitor quer, nem eu quero. Por outro lado, toda a gente gosta de ser advertida por um campino. E normalmente passa-se assim: o campino assobia ao condutor acelerado. E este, apercebendo-se da aproximação de um generoso homem vestido de verde e vermelho, montado num cavalo lusitano, rende-se imediatamente ao seu dever patriótico de abrandar o carro e colaborar com a justiça.

Ninguém resiste à simpatia de um campino. Se na sua vila ainda não foi dada inteira exclusividade da segurança pública ao campino, então é hora de apertar com os vizinhos e fazer correr uma petição pela zona. Por um campino mais próximo do cidadão. Se não é assim que é, então é assim que devia ser.

domingo, dezembro 09, 2007

Frágil

Após busca cuidada, perdido no Bairro Alto, marquei presença no Frágil, no dia 6 de Dezembro (quinta-feira), para a apresentação dos Contos de Algibeira, uma louvada iniciativa de Laís Chaffe e da Casa Verde. Para além da estranha situação de ter Jorge Silva Melo a apresentar um livro onde também participo, a noite valeu a pena para ver algumas caras conhecidas. Tímido como sou, não estive «como peixe na água» em evento tão concorrido, mas tive o prazer de conhecer pessoalmente o Luís Ene (afabilíssimo, mas muito franco ao admitir que eu afinal sou mais gordo do que as fotos revelam) e de reencontrar o Paulo.

Quanto ao livro, ainda não está todo corrido. Mas tenho gostado bastante de alguns textos. Favoritos? Tenho, mas isso fica para mim.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Lost in translation

Para tentar falar inglês no dia a dia, perdi o hábito de falar em português. Perdi-me no caminho entre as duas línguas. Agora nem inglês, nem português.

Prendas

Em alturas de Natal, chega a decisão importante: o que comprar para os outros, com boa relação qualidade/preço? Importante é que a melhor prenda seja sempre a minha para mim mesmo. Aceitam-se sugestões, claro.

CONVITE AO LEITOR

Lançamento reúne minicontos de portugueses e brasileiros


«Uma grande festa organizada por Nuno Costa Santos vai unir a literatura portuguesa e brasileira no próximo dia 6 de dezembro, às 21h30min, no Frágil (Rua da Atalaia, 126 – Bairro Alto - Lisboa). Jorge Silva Melo apresenta o livro Contos de Algibeira, lançamento do selo editorial Casa Verde, do Brasil, organizado pela escritora Laís Chaffe. O livro é o terceiro volume da Série Lilliput, dedicada aos minicontos – os primeiros são Contos de bolso (2005) e Contos de bolsa (2006). A novidade é que Contos de algibeira, além de importantes escritores brasileiros, traz colaborações de 36 autores de Portugal.

Já confirmaram presenças no Frágil os escritores Alexandre Borges, Ana Mendes, Ana Ramalhete, Ana Saramago, Fernando Gomes, João Carlos Silva, João Ventura, Joel Neto, Luís Ene, Maria João Fernandes, Mário Calado Pedro, Paulo Rodrigues Ferreira, Rui Zink, Sara Monteiro. O Brasil estará representado no lançamento por Luciana Veiga e Berenice Sica Lamas. Luciana faz parte do grupo de escritores que integram a Casa Verde, criada em 2004 por Laís Chaffe, com o objetivo de aprofundar discussões literárias e publicar com independência. Os demais autores da Casa são Caco Belmonte, Christina Dias, Filipe Bortolini, Luiz Paulo Faccioli e Marcelo Spalding.»

domingo, dezembro 02, 2007

O estado das coisas

Dia a dia

Ele: I'm being chased.

Eu: Sir, that's normal. They just want more. Ignore it.

A tarefa mais importante

Quando o trabalho e a necessidade de dinheiro afastam o homem da escrita, há uma parcela de depressão que se instala. Um homem sabe quando falta fazer alguma coisa. Mesmo quando o dia nos deu um pouco de tudo, sabe-se isto: não se cumpriu a tarefa mais importante, a de juntar palavras.

Inércia

É provável que, em cada dez metros de vida, apenas um metro seja de real existência. E em algumas pessoas a percentagem de criatividade, de «força viva», é ainda mais pequena. Esta tese faz de mim um ser praticamente inanimado.

domingo, novembro 18, 2007

The Brave One



Para quem viu Taxi Driver, este novo filme de Neil Jordan é, sem dúvida, uma boa lembrança. The Brave One, com Jodie Foster e Terrence Howard (dois actores que muito prezo) não é uma revolução do cinema, como foi com o filme de Scorsese. Mas é um murro no estômago. É uma viagem pela perda, pela vingança e pelo ódio. É um estereótipo de «drama humano», mas sem luto. Sem lágrimas. Será possível preencher o vazio deixado pela perda (morte) de uma pessoa próxima, através da justiça pelas próprias mãos? The Brave One tenta dar a resposta. Falha, mas a reflexão fica lá, assim como um bom filme.

A Vida dos Outros



Há dias, fui ver, pela primeira vez, A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck. Parti para a sala de cinema com uma opinião a ecoar na cabeça, uma opinião negativa que Vasco Pulido Valente havia deixado numa revista. No fim do filme, fiquei com vontade de rasgar o artigo de VPV. A razão é simples: o filme não é medíocre nem é suposto ser um documentário sobre a RDA. E passo a explicar.

Começo pela segunda premissa, acerca da veracidade de algumas coisas que surgem no filme. VPV acusa Donnersmarck de alguma ingenuidade em relação às pessoas em geral e à «redenção pela arte». O problema dessa acusação, no entanto, é o seguinte: um filme não é um tratado moral. Pelo menos, não o é em si, enquanto forma. Se aparecem frases feitas (como as há no meio de filme, uma ou duas, de facto), não são essas frases que fazem todo um filme. Há vida para além da «veracidade» e da «credibilidade» humana das personagens e da acção. E Wiesler, o Stasi que supostamente se redime e se «transforma» pela arte, é uma personagem cativante, sem necessariamente ser verdadeira. Provavelmente, nunca existiu nenhum Wiesler. Provavelmente, nunca houve na PIDE um homem que, atingido pela culpa, acabasse praticamente a «lutar» contra a própria organização, o próprio Estado que servisse, e pagasse o preço por isso. Mas a mensagem do filme - ou melhor, a história hipotética - não deixa de ser bonita. Os filmes não são a realidade, são a realidade que queremos. Hollywood ensinou-nos isso.

Depois, uma suposta acusação de mediocridade do filme. Aqui estamos no domínio das opiniões. Achei A Vida dos Outros um filme muito bom. Não o melhor que já vi, mas um muito bom. Muito interessante. Uma espécie de tragédia shakespeariana motivada pela culpa, pelo acaso, pela vingança e, não menos, pelo sexo. É o sexo que motiva o encontro de todas estas personagens, em especial o interesse sexual «devorista» e destruidor do ministro Bruno Hempf pela actriz namorada de Dreyman, o escritor que passa a ficar sob escuta para eventualmente ser «acusado» de algo, seja qual for a acusação. É o sexo que, tal como em Shakespeare, move muitos peões aqui. E isso é algo que, ao contrário de muitas peças, Shakespeare introduz de forma muito humana e muito cínica. Donnersmarck teve o cuidado de nos pôr um dilema shakespeariano em cinema, num cenário comunista. E em alemão, o que é obra.

Putin

Já se pode ler um novo artigo meu no Setúbal na Rede, acerca da visita de Putin a Portugal e das «lições de democracia» que dessa visita brotaram.

A moral orientadora do artigo é esta: «em matéria de “democracia” e de subsidiariedade, não estamos propriamente a ganhar terreno sobre Putin. A perda contínua de capacidade e mobilidade económicas dos pequenos poderes na Europa, e em Portugal isso é visível, corta-nos a palavra quando queremos ensinar Vladimir Putin a governar. Tanto Sócrates como Putin acham que sabem o que é melhor para o seu povo, e nisso, como sabemos, não há voz que lhes chegue aos ouvidos».

segunda-feira, novembro 12, 2007

Schmeichel e Bukowski



Depois de uma busca recomendada pelo Paulo, fico acidentalmente a saber que há uma dupla musical no Brasil chamada «Schmeichel e Bukowski». O que, pegando moda, dará certamente origem a uma hipotética dupla de samba «Buffon e Saramago».

Orgulho ibérico

O episódio foi este: na Cimeira Ibero-Americana que está a decorrer no Chile, Hugo Chávez não se fartava de dizer, debaixo das barbas de toda a gente, que José María Aznar era «um fascista». Zapatero tentou pedir respeito ao ditador venezuelano com calma e profissionalismo (desequilibradamente simpático, na minha opinião), já que Aznar tinha sido «eleito pelos espanhóis» democraticamente. Isto não foi suficiente para calar Chávez. Mas é aí que entra o herói desta história. O rei Juan Carlos, sentado entre Zapatero e Chávez, perde as estribeiras (com razão) e, tirando-me as palavras da boca, dirige-se a Hugo Chávez levantando a mão na sua direcção: «Por qué no te callas?».
Ainda dizem que a monarquia não faz falta nos dias que correm.

Sensação de realização

Quem não se sente realizado depois de comprar os seis volumes das Páginas de Ruben A., em desconto?

[João Carlos Silva]

Os «projectos olímpicos» da Baixa de Lisboa

A Baixa voltará a ser o centro da cidade se os lisboetas virem nisso alguma conveniência, porque foi por ter sido conveniente que a Baixa foi famosa no passado. Gastar milhões em projectos com o intuito de incentivar as pessoas a irem à Baixa é uma política condenada ao fracasso. Além do mais, prejudica os interesses de quem assumiu o risco de investir noutras zonas da cidade e, com o fruto do seu trabalho, paga os impostos que financiam a autarquia.

André Abrantes Amaral, Atlântico, Novembro 2007

Atlântico

Vale a pena comprar a Atlântico deste mês. Para além das contribuições habituais, que valem sempre a pena, traz como bónus um pequeno ensaio de Rui Ramos sobre as invasões francesas (que peca por alguma falta de profundidade, tendo em conta a extensão do «material» em análise), um excelente artigo de André Abrantes Amaral dando uma «luz liberal» ao planeamento de Lisboa, um texto de João Marques de Ameida dando um ensaio de porrada a Al Gore e ao «Comité Central» do Nobel, Fernando C. Gabriel sobre a África do Sul ou uma entrevista de Pedro Mexia a Paul Auster.

[João Carlos Silva]

Um estudo sobre Telma Monteiro



Não, não és o único, Bruno. Mas, machismo à parte, com as medalhas e o treino a Telma está a ganhar uma certa virilidade. Não deixa de ser uma mulher de talento, e uma atleta de talento também.

[João Carlos Silva]

Página 161, versículo 5

O meu caro conterrâneo e co-vitoriano Luís Silva meteu-me na seguinte alhada: devo «esticar o braço» e enfiá-lo por entre as páginas do livro que «estiver mais à mão de semear», mais precisamente na página 161, e pôr aqui a 5ª frase completa que encontrar nessa mesma página. Como não poderia deixar pendurada uma pessoa como o Luís (até porque já lhe dei castigo semelhante), foi o que fiz. Esticando o braço para a leitura actual, o Dracula de Bram Stoker (em edição da Dover), dei de caras com isto:

I smiled, and said: -
"I was ill, I have had a shock, but you have cured me already."


É pena não andar em leituras mais interessantes. Até porque há passagens bem mais interessantes tanto neste livro como noutros aqui nos arredores.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, novembro 07, 2007

Contos de Algibeira



A antologia de micronarrativas Contos de Algibeira sairá já no dia 1 de Dezembro, às 18h30, em Porto Alegre, Brasil - na Alameda dos Escritores do Shopping Total (para quem conhece). Para além de excelentes escritores brasileiros, os portugueses também estão representados, sob a batuta sábia de Laís Chaffe. Entre tantos outros, contam-se por lá Gonçalo M. Tavares, Henrique Manuel Bento Fialho, Hugo Rosa, João Ventura, Luís Ene, manuel a. domingos, Maria João Lopes Fernandes, Nuno Costa Santos, Paulo Kellerman, Rafael Miranda, Rui Costa, Rui Manuel Amaral, Rui Zink ou Rute Mota (perdoem-me as graves omissões). Também eu entrei nesta empreitada com um texto, assim como o meu amigo Paulo Rodrigues Ferreira.

[João Carlos Silva]

sexta-feira, novembro 02, 2007

Minguante



Já saiu a Minguante nº8, de Novembro, agora que se tornou trimestral. Entre tantos outros muito melhores, está um medíocre texto meu.

[João Carlos Silva]

O estado das coisas



O rei está moribundo, e não me parece nada bem.

[João Carlos Silva]

segunda-feira, outubro 29, 2007

Oposição a Marques Mendes

Isto em política é preciso ter uma paciência de Job, em particular quando se atravessa um período de vacas magras; um período de casa sem pão, onde todos ralham e ninguém tem razão; um período de fome má conselheira; um período em que se é preso por ter cão e por não ter. E há muitos provérbios populares significativos para o caso. Antes de Marques Mendes tomar uma posição, todos a exigiam: depois de a tomar, todos a criticam. E nem sequer é uma decisão entre muitas, é esta mesmo, precisamente a que tomou, a que lhe exigiam, esta mesmo que lhe criticam. Ou porque é tarde de mais, ou porque é cedo de mais, ou por mil e umas razões que servem agora e não servem depois. (2007)

José Pacheco Pereira, O Paradoxo do Ornitorrinco - textos sobre o PSD

[João Carlos Silva]

sexta-feira, outubro 26, 2007

Aviso

Quem quiser, pode ler-me também neste blog:

00:04


[Paulo Ferreira]

quarta-feira, outubro 24, 2007

Micróbio



A partir de agora também escrevo no Micróbio Megalómano.

[João Carlos Silva]

Gonçalo M. Tavares



Gonçalo M. Tavares não é um mago das palavras. Não tem uma escrita poética nem melódica. As palavras que correm nos livros de Tavares são curtas, escassas e científicas. «A ciência da carne, do metal, do osso» - poderia ser o lema deste escritor. Não é um escritor que escreva calhamaços para o Nobel ou para a crítica política. Não é. Mas garanto que nunca nenhum escritor me fez pensar como Gonçalo M. Tavares me faz pensar depois de ler um livro seu. Para qualquer escritor, então, é uma leitura obrigatória: um dínamo da mente humana.

[João Carlos Silva]

domingo, outubro 21, 2007

Work in Progress



[João Carlos Silva]

sexta-feira, outubro 19, 2007

Despertares



Há grandes clássicos entre os meus filmes que, passem os anos que passarem e veja-os as vezes que os vir, serão sempre grandes lições.

[João Carlos Silva]

quinta-feira, outubro 18, 2007

National pride

No post «A Longa Campanha De Durão», o Bruno interroga-se: Serei sou eu, ou haverá mais gente já farta da campanha que Durão Barroso anda já a fazer para as Presidenciais de 2016?

Eu, pela minha parte, só posso dizer isto: um voto em Durão seria um voto da má memória, um voto amnésico.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, outubro 17, 2007

Barreto quote IV

Esse é o ponto: a «ideologia» dos brandos costumes pretende justificar e desculpar a opressão; disfarçar a violência; e impor a passividade aos cidadãos.

António Barreto, Sem Emenda

[João Carlos Silva]

Barreto quote III

Um dos mais sérios problemas portugueses é o da ausência de contra-poderes. O Estado é a nação. O Governo é o Estado. Há séculos que é assim. Embora ténue em certos momentos, o único contrapoder digno desse nome é sem dúvida a Igreja Católica.

António Barreto, Sem Emenda

[João Carlos Silva]

Barreto quote II

António Barreto, em Sem Emenda, tem um artigo (de uma ironia genial) em que admite que não gosta de Espanha nem de espanhóis. E resume os seus defeitos:

Como se pode gostar de um povo que fez a Inquisição, expulsou estrangeiros, queimou judeus, assassinou protestantes, bateu nos árabes, massacrou os índios, escravizou pretos, expulsou jesuítas, matou comunistas e anarquistas, prendeu socialistas e democratas, expulsou frades, violou freiras, nacionalizou conventos, deu o poder à Igreja e aos militares, proibiu os partidos e as eleições durante quarenta anos, deportou artistas, forçou militares ao exílio, deixou partir centenas de milhar de emigrantes clandestinos, censurou os livros e os jornais e quer fazer a Federação Europeia? Como é possível gostar de tal povo?

Mas será mesmo de Espanha que António Barreto está a falar?

[João Carlos Silva]

Barreto quote I

Os funcionários da revolução eram sempre piores do que os do poder? Os esquerdistas piores do que os yuppies? Mais uma vez, só a liberdade nos salva. E o inconformismo, quando há. Querer mudar tudo é uma estupidez. Pretender fazer um homem novo é um disparate. Mas os que querem obedecer e chamar-lhe sucesso, não são melhores.

António Barreto, Sem Emenda

[João Carlos Silva]

terça-feira, outubro 16, 2007

Mau cenário

Há tempos, num espírito «tanto se me dá como se me deu» e inspirado pelo abandono do homem de uma entrevista, disse que não me importava de ver Santana Lopes como líder parlamentar do PSD. Por três razões: porque já era deputado; porque é da laia de Menezes (se bem que eu não tenha semelhante antipatia por Santana); e porque já não queria saber de nada. Mas não pensei, não pensei mesmo. A piada de ver o «guerreiro-menino» à frente das tropas não é tão grande se, num cenário pós-Santana, o PSD entrar num deserto enquanto partido. Um PS sem qualquer oposição séria seria uma catástrofe, não para o PSD, mas para o Portugal onde vivo. Por muito populista que Menezes já seja e por muito inepto que o PSD já esteja, quando Santana Lopes chegar para ajudar à festa há sempre um cenário pior. Disse disparate, portanto. Mas é mesmo por poder admitir isto, e sem grande jeito para a coisa, que não sou político.

[João Carlos Silva]

Dor

Sem analgésicos é mais giro.

[João Carlos Silva]

Case study

Será possível criar sempre um novo desfecho para doenças existentes? É.

[João Carlos Silva]

Abdómen

Através de uma janela no meu abdómen, tenho andado a olhar a morte nos olhos.

[João Carlos Silva]

O acto solene de desaparecer



«Desaparecido». Esta maneira de sair da cena da vida parece ter sido muito conhecida no século XVII; mas era então considerada um privilégio dos que tinham sangue régio e jamais seria concedida a um boticário. Por volta de 1686, de facto, um poeta com um nome de mau agorio (ao qual, de resto, fez justiça), Mr. Flat-Man, falando da morte de Carlos II, exprimia a sua surpresa por um príncipe ter cometido um acto tão absurdo como morrer; diz ele que «Deveriam os reis não morrer mas sumir-se».
Ou seja, deveriam eclipsar-se no outro mundo.


Thomas de Quincey, Confissões de um Opiómano Inglês

[João Carlos Silva]

sexta-feira, outubro 12, 2007

Escreve, escreve

Então, estou fora? Não, escrevendo não me tornei melhor, apenas dissipei um pouco, a ansiosa e inconsistente juventude. Que me valerão estas páginas descontentes? O livro, o voto, não valerão mais do que tu. Nunca disse que escrevendo se salva a alma. Escreve, escreve, e a tua alma já está perdida.*

Italo Calvino, O Cavaleiro Inexistente

*nota: é uma monja narradora que escreve estas linhas.

[João Carlos Silva]

As leis da Venezuela

É favor espreitar esta notícia. E eu que nunca pensei vir a gostar do Alejandro Sanz. É bom saber que, na música como em Hollywood, o barco não está totalmente desequilibrado para o «outro lado». Tal como Andy Garcia motiva a oposição a Fidel, também Sanz critica Chávez. E «El Presidente» não se esquece.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sangue na cabeça

Não há uma noite em que consigas ir para a cama com a cabeça limpa de sangue.

[Paulo Ferreira]

Contar gotas

O Verão acabou mas o meu sofrimento com o suor não.

[Paulo Ferreira]

Falta de comparência

Pior do que uma grande derrota é uma falta de comparência.

[Paulo Ferreira]

Objectivos

No momento em que alguém se decidir a criar uma associação que tenha como único objectivo o de me salvar, passarei a acreditar no conceito de humanidade.

[Paulo Ferreira]

Caminhos

Do mesmo modo que existem várias formas de ganhar a vida, há diferentes formas de a perder. Eu, por exemplo, farto-me de encontrar caminhos para a desgraça.

[Paulo Ferreira]

Perder anos

Mesmo não saindo do sofá, consegues perder anos de vida em poucas horas.

[Paulo Ferreira]

terça-feira, outubro 09, 2007

Mundo cão

O chão é de terra. O tecto é de ar. Não confio neste mundo.

[Paulo Ferreira]

Razões para acreditar

Apesar deste Inferno que é o passado, o presente e o futuro, acredito que dias virão em que os céus azuis nos ofuscarão os olhos ao ponto de não conseguirmos ver o bicho que temos dentro de nós.

[Paulo Ferreira]

Amanhã

Sou daquelas pessoas que estão sempre à espera dos amanhãs. Sou daquelas pessoas que vivem desiludidas com os dias que passam.

[Paulo Ferreira]

Quatro paredes

Um suicida que amava a vida construiu uma casa sem janelas para que, nos momentos de angústia, não conseguisse encontrar pontos de fuga.

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, outubro 08, 2007

Futuro escuro

Tinha tão poucas expectativas em relação ao futuro que nunca se lembrou de sair da cama.

[Paulo Ferreira]

Amizade

A amizade acaba com a vaidade.

[Paulo Ferreira]

Manchas

O facto de seres humano não desculpa as tuas falhas. Mas o facto de seres falhado desculpa o ser humano que és.

[Paulo Ferreira]

Falhar

Se voltaste a falhar, não te preocupes. Falharás mais vezes.

[Paulo Ferreira]

Escolhas

Se um dia precisares de fazer escolhas, usa o cérebro em vez do coração. Reconheça-se, no entanto, que muito dificilmente um animal da nossa espécie consegue fazer escolhas com o cérebro. O coração é sempre a nossa grande ferramenta. Até quando a ferramenta é uma má ferramenta.

[Paulo Ferreira]

Prova de esforço

Quem conseguir passar mais do que quatro horas com a sua senhora num centro comercial de grande dimensão, para além de estar a bater o meu máximo histórico, está pronto para o casório.

[Paulo Ferreira]

sábado, outubro 06, 2007

Sátira

H. L. Mencken tem uma forma engraçada de contar as suas opiniões ao público, uma vez que, ao fazer isso, brinca dizendo coisas sérias e consegue não cair em ridículo. Por exemplo, a ideia geral de Os Americanos é esta:

Está claro que gente de terceira categoria existe em todos os países, mas só que aqui lhes é confiado o leme do Estado e, ao mesmo tempo, a guarda dos valores nacionais.

Outro qualquer escriba, a dizer isto sobre os Estados Unidos, dar-me-ia vómitos. Mas Mencken não. Mencken sabia escrever, sabia pensar, sabia brincar. Mais importante, Mencken sabia que, fora de portas, o vazio era maior.

[Paulo Ferreira]




Felicidade

Em Os Americanos, Henry Louis Mencken (1880-1956) dá a receita necessária para a felicidade:

a) Bem alimentado, livre de preocupações mesquinhas, à vontade na mãe-pátria;

b) Repleto de um reconfortante sentimento de superioridade em relação à grande massa dos meus compatriotas;

c) Permanentemente divertido, com finura de espírito e de acordo com o meu gosto.

[Paulo Ferreira]

sexta-feira, outubro 05, 2007

Raça

Não conhecendo em profundidade a figura de Ângelo Correia, falo daquilo que vejo e que leio. Esta semana, numa entrevista ao Expresso, o homem refere, a propósito das reacções de Pacheco Pereira em relação à vitória de Menezes, o seguinte: O dr. Pacheco queria ser expulso para ser mártir, mas não lhe faremos a vontade. Parece-me que por aqui se vê de que material esta gente é feita.

[Paulo Ferreira]

Ser português

Sobre Arte de Ser Português, de Teixeira de Pascoaes, nada melhor do que a leitura do prefácio de Miguel Esteves Cardoso. Aqui fica um excerto:

Os Portugueses não queriam ser quem ele queria. Os Portugueses de Pascoaes nem sequer existiam. Pascoaes nunca percebeu que era tudo invenção dele.

[Paulo Ferreira]

Rei

Tentando averiguar se o ambiente na SIC continua tão eroticamente carregado como nos nossos tempos, eu e a minha mulher deslocámo-nos aos estúdios no passado domingo. Como fazíamos sete anos de casados nesse dia, convencia-a a ir vestida de noiva, para a fotografia.

- Miguel Esteves Cardoso, Única/ Expresso

[Paulo Ferreira]

Naquele dia

Poderia jurar que, naquele dia, o culpado não fui eu. Mas reconheço que todos os outros dias se têm parecido com aquele.

[Paulo Ferreira]

Lupa

Ontem comprei uma lupa e enviei-a a Deus, a ver se Ele me descobre no meio disto tudo.

[Paulo Ferreira]

Deus

Permanecer levantado no ar como um filho de Deus à espera da redenção. Permanecer crucificado como um pecador que, mesmo não suportando mais dor, só recebe dor.

[Paulo Ferreira]

Estado das coisas



[Paulo Ferreira]

quinta-feira, outubro 04, 2007

Sagnier


Apreciei deveras o trabalho de Ludivine Sagnier em Swimming Pool.

[Paulo Ferreira]

Homenzinho

Santana Lopes já é um homenzinho. Já não faz as noitadas de antigamente. Agora, em vez das habituais «directas», Santana deita-se às cinco, seis da manhã, para chegar fresquinho ao trabalho.

[Paulo Ferreira]

Mundo mau

A dor faz-te dizer constantemente que este mundo não é bom, que este mundo não é bom.

[Paulo Ferreira]

Menezes e Santana


A propósito deste meu post, onde eu admitia que não ficava demasiado abatido com a escolha de Santana Lopes para líder parlamentar do PSD, o meu amigo Bruno fez um comentário: «sendo que o João não se deixa enganar pela histeria de Menezes, estranho que ele use para Santana o argumento que os apoiantes do novo líder usaram na sua campanha (o de que, com ele, haveria "verdadeira" oposição, ou seja, berraria)». Ora, a minha justificação para tal «aceitação» de Santana como parlamentar está no próprio excerto que escolhi do comentário do Bruno. Ou seja, que o argumento que se tem usado para escolher os líderes do PSD terá de ser aceite se se referir ao líder parlamentar. É a única abordagem congruente. Menezes e Santana sempre fizeram par, e aos olhos das «bases» é a única continuidade aceitável. A visibilidade que ele (Santana) terá é natural e, com alguma esperança, não será pelos piores espectáculos que já protagonizou. Será um líder parlamentar que qualquer pessoa ouve, mesmo sem querer.

Resumindo: o espectáculo mediático que muitos quiseram ver no líder do partido podia já ter sido fornecido pela escolha de Santana Lopes para líder parlamentar, sem ter descambado nesta pobre via de liderança. Com a condição - e esta é a parte mais importante - de não «andar por aí» e de, se Menezes cair, aprender de vez a lição. Acho, Bruno, que, com o líder que o PSD tem neste momento, Santana Lopes é a única escolha óbvia.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, outubro 03, 2007

Inferno 2

Indirectamente, vais escolhendo viver num inferno para o qual não estavas preparado.

[Paulo Ferreira]

Ferida aberta

Não imaginas que a tua existência é como uma ferida aberta que, ao mínimo toque, te fará gritar como uma criança doente. Mas devias.

[Paulo Ferreira]

Analgésico

Sendo certo que todos os dias me dói alguma parte do corpo, quantos analgésicos deverei tomar até que tudo acabe?

[Paulo Ferreira]

1000

No ano mil, o mundo não acabou. No ano dois mil, também não. Será que o Inferno é para sempre?

[Paulo Ferreira]

Inferno

Se é certo que certas vidas se rodeiam de uma grande felicidade, mais certo é que outras vidas são passadas muito lentamente, num grande sofrimento, dentro de uma grande fogueira que arde e que faz doer.

[Paulo Ferreira]

Um Santana atrevido é o que se quer

Marques Mendes foi um dos melhores deputados do PSD da última década. Talvez o melhor. Mas agora, parece, chegou a altura de ser afastado (por pouco tempo, gostava eu) por razões políticas e de mudança de «directório». Para além disso, vai-se escolher também novo líder para a bancada parlamentar do partido. Verdade seja dita, eu não me importava de ver Santana Lopes como líder da bancada parlamentar do PSD. Arriscando alguma incipiência no conteúdo das intervenções, ao menos tínhamos um homem mais desbocado e atrevido (este sim e não Menezes). Teríamos, esperançosamente, alguém capaz de virar as costas ao desrespeito do Primeiro-Ministro para com os deputados. Face ao sarcasmo barato e grosseiro das intervenções José Sócrates, acredito que Santana Lopes se levantaria a meio e se ia embora. Acredito que poderia exigir mais, mesmo que não tão bem como Mendes. E isso, nos tempos que correm, é de louvar.

[João Carlos Silva]

A viagem

O manuel a. domingos pôs o meia noite todo o dia a descansar por uns tempos. É pena. Ficam os votos deste blog de um retorno breve, como se de Ulisses se tratasse.

[João Carlos Silva]

O cantor que lia Kierkegaard



Tenho para mim que Elliott Smith ainda está vivo. Pelo menos para os dois autores deste blog, o homem continua vivo nas aparelhagens e mp3's.

[João Carlos Silva]

Fuck

Outra coisa fantástica em Roth é a sua utilização da linguagem, do calão. Não há palavras proibidas no vocabulário (à excepção, talvez, de «amor»). Em geral, nos livros de Philip Roth, página sim página não lá está «cunt», «fuck her/him», «cock», e por ai fora. Coisa mais rara na literatura lusitana. Há vergonha de explorar as palavras tabu. Eu incluo-me neste grupo, como bom filho ateu de católicos, de cuja influência e limites não consigo fugir.

Coisa melhor ainda é que a tradução de Deception (na Bertrand Editora) não tem piedade do leitor e traz à letra as palavras de Roth. As personagens fodem e vêm-se, assim mesmo sem aspas. As palavras são palavras e é preciso descrever a acção. É preciso falar como em Brooklyn. Aplaudo a tradução para português. Para não acontecer como nas traduções de séries (Sopranos incluídos) que transformam uma frase «they were fucking» num «estavam a fazer aquilo». O estilo depende do autor, mas a partir daí o tradutor deve deixar de ser tímido. Nisto da literatura crua nunca se mata o mensageiro: numa tradução nunca se mata o tradutor pelo vernáculo; num diálogo nunca se mata o narrador pela escolha de vocabulário. E Roth, felizmente, sabe isso.

[João Carlos Silva]

Roth


Ler um livro de Philip Roth é sempre o acto de descer um pouco à condição mais vil de todos nós. Traidores, mesquinhos e egoístas. Feios, porcos e maus. Há uma subversão das regras e da ordem das coisas na sociedade que, quando vemos bem, não é subversão nenhuma. É apenas o retrato do lugar mais obscuro do nosso comportamento. E, em Roth, esse lugar obscuro mas podre não está numa personagem distante e caricata. Pelo contrário: para encontrar a perversão em Roth não é preciso ir mais longe do que o próprio protagonista.

[João Carlos Silva]

Feeling

Alguns blogs têm comemorado a vitória de Luís Filipe Menezes, sem pensar no deserto que ficará no PSD depois da passagem deste infame autarca por lá. Mas noutros blogs foi-se mais longe na originalidade, convertendo o nome de Menezes numa sigla misteriosa: L de Líder ; F de Feeling ; M de Mérito. Sempre gostava de saber o que será o «Feeling» do dr. Menezes.

[João Carlos Silva]

terça-feira, outubro 02, 2007

In Rainbows


[Paulo Ferreira]

Quizás Quizás Quizás - Nat King Cole

[Paulo Ferreira]

É assim...

Se deixar a pistola carregada de balas em cima da mesa, não hesitarás em pegar nela para me matar. Sei que o amor é assim.

[Paulo Ferreira]

Mulheres, vidas

Por cada mulher que tens, vives uma vida diferente.

[Paulo Ferreira]

Calendário

O futuro está sempre tão longe e as necessidades estão sempre tão à mão.

[Paulo Ferreira]

Visitas


Há uma certa tendência de algumas pessoas para a pesquisa da palavra «gajas» no Google. Pelo menos, quando vou ao contador de visitas, só encontro «gajas». É quase um ritual. Abro o contador e, surpresa das surpresas, «gajas». Mas aqui não há disso. Neste espaço, a Claudisabel não mostra as «mamas», a Rita Egídio não faz «dança do ventre», a Eva Angelina não veste o fato de secretária.

[Paulo Ferreira]

Chuva

Noto que, com a chuva, me torno mais caseiro, telivisivo, soturno, nostálgico e feliz.

[Paulo Ferreira]

Pergunta

Se estivesses, neste momento, no meio do mar, que farias tu? Deixar-te-ias afogar ou tentarias salvar a pele?

[Paulo Ferreira]