sexta-feira, novembro 02, 2007

Minguante



Já saiu a Minguante nº8, de Novembro, agora que se tornou trimestral. Entre tantos outros muito melhores, está um medíocre texto meu.

[João Carlos Silva]

O estado das coisas



O rei está moribundo, e não me parece nada bem.

[João Carlos Silva]

segunda-feira, outubro 29, 2007

Oposição a Marques Mendes

Isto em política é preciso ter uma paciência de Job, em particular quando se atravessa um período de vacas magras; um período de casa sem pão, onde todos ralham e ninguém tem razão; um período de fome má conselheira; um período em que se é preso por ter cão e por não ter. E há muitos provérbios populares significativos para o caso. Antes de Marques Mendes tomar uma posição, todos a exigiam: depois de a tomar, todos a criticam. E nem sequer é uma decisão entre muitas, é esta mesmo, precisamente a que tomou, a que lhe exigiam, esta mesmo que lhe criticam. Ou porque é tarde de mais, ou porque é cedo de mais, ou por mil e umas razões que servem agora e não servem depois. (2007)

José Pacheco Pereira, O Paradoxo do Ornitorrinco - textos sobre o PSD

[João Carlos Silva]

sexta-feira, outubro 26, 2007

Aviso

Quem quiser, pode ler-me também neste blog:

00:04


[Paulo Ferreira]

quarta-feira, outubro 24, 2007

Micróbio



A partir de agora também escrevo no Micróbio Megalómano.

[João Carlos Silva]

Gonçalo M. Tavares



Gonçalo M. Tavares não é um mago das palavras. Não tem uma escrita poética nem melódica. As palavras que correm nos livros de Tavares são curtas, escassas e científicas. «A ciência da carne, do metal, do osso» - poderia ser o lema deste escritor. Não é um escritor que escreva calhamaços para o Nobel ou para a crítica política. Não é. Mas garanto que nunca nenhum escritor me fez pensar como Gonçalo M. Tavares me faz pensar depois de ler um livro seu. Para qualquer escritor, então, é uma leitura obrigatória: um dínamo da mente humana.

[João Carlos Silva]

domingo, outubro 21, 2007

Work in Progress



[João Carlos Silva]

sexta-feira, outubro 19, 2007

Despertares



Há grandes clássicos entre os meus filmes que, passem os anos que passarem e veja-os as vezes que os vir, serão sempre grandes lições.

[João Carlos Silva]

quinta-feira, outubro 18, 2007

National pride

No post «A Longa Campanha De Durão», o Bruno interroga-se: Serei sou eu, ou haverá mais gente já farta da campanha que Durão Barroso anda já a fazer para as Presidenciais de 2016?

Eu, pela minha parte, só posso dizer isto: um voto em Durão seria um voto da má memória, um voto amnésico.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, outubro 17, 2007

Barreto quote IV

Esse é o ponto: a «ideologia» dos brandos costumes pretende justificar e desculpar a opressão; disfarçar a violência; e impor a passividade aos cidadãos.

António Barreto, Sem Emenda

[João Carlos Silva]

Barreto quote III

Um dos mais sérios problemas portugueses é o da ausência de contra-poderes. O Estado é a nação. O Governo é o Estado. Há séculos que é assim. Embora ténue em certos momentos, o único contrapoder digno desse nome é sem dúvida a Igreja Católica.

António Barreto, Sem Emenda

[João Carlos Silva]

Barreto quote II

António Barreto, em Sem Emenda, tem um artigo (de uma ironia genial) em que admite que não gosta de Espanha nem de espanhóis. E resume os seus defeitos:

Como se pode gostar de um povo que fez a Inquisição, expulsou estrangeiros, queimou judeus, assassinou protestantes, bateu nos árabes, massacrou os índios, escravizou pretos, expulsou jesuítas, matou comunistas e anarquistas, prendeu socialistas e democratas, expulsou frades, violou freiras, nacionalizou conventos, deu o poder à Igreja e aos militares, proibiu os partidos e as eleições durante quarenta anos, deportou artistas, forçou militares ao exílio, deixou partir centenas de milhar de emigrantes clandestinos, censurou os livros e os jornais e quer fazer a Federação Europeia? Como é possível gostar de tal povo?

Mas será mesmo de Espanha que António Barreto está a falar?

[João Carlos Silva]

Barreto quote I

Os funcionários da revolução eram sempre piores do que os do poder? Os esquerdistas piores do que os yuppies? Mais uma vez, só a liberdade nos salva. E o inconformismo, quando há. Querer mudar tudo é uma estupidez. Pretender fazer um homem novo é um disparate. Mas os que querem obedecer e chamar-lhe sucesso, não são melhores.

António Barreto, Sem Emenda

[João Carlos Silva]

terça-feira, outubro 16, 2007

Mau cenário

Há tempos, num espírito «tanto se me dá como se me deu» e inspirado pelo abandono do homem de uma entrevista, disse que não me importava de ver Santana Lopes como líder parlamentar do PSD. Por três razões: porque já era deputado; porque é da laia de Menezes (se bem que eu não tenha semelhante antipatia por Santana); e porque já não queria saber de nada. Mas não pensei, não pensei mesmo. A piada de ver o «guerreiro-menino» à frente das tropas não é tão grande se, num cenário pós-Santana, o PSD entrar num deserto enquanto partido. Um PS sem qualquer oposição séria seria uma catástrofe, não para o PSD, mas para o Portugal onde vivo. Por muito populista que Menezes já seja e por muito inepto que o PSD já esteja, quando Santana Lopes chegar para ajudar à festa há sempre um cenário pior. Disse disparate, portanto. Mas é mesmo por poder admitir isto, e sem grande jeito para a coisa, que não sou político.

[João Carlos Silva]

Dor

Sem analgésicos é mais giro.

[João Carlos Silva]

Case study

Será possível criar sempre um novo desfecho para doenças existentes? É.

[João Carlos Silva]

Abdómen

Através de uma janela no meu abdómen, tenho andado a olhar a morte nos olhos.

[João Carlos Silva]

O acto solene de desaparecer



«Desaparecido». Esta maneira de sair da cena da vida parece ter sido muito conhecida no século XVII; mas era então considerada um privilégio dos que tinham sangue régio e jamais seria concedida a um boticário. Por volta de 1686, de facto, um poeta com um nome de mau agorio (ao qual, de resto, fez justiça), Mr. Flat-Man, falando da morte de Carlos II, exprimia a sua surpresa por um príncipe ter cometido um acto tão absurdo como morrer; diz ele que «Deveriam os reis não morrer mas sumir-se».
Ou seja, deveriam eclipsar-se no outro mundo.


Thomas de Quincey, Confissões de um Opiómano Inglês

[João Carlos Silva]

sexta-feira, outubro 12, 2007

Escreve, escreve

Então, estou fora? Não, escrevendo não me tornei melhor, apenas dissipei um pouco, a ansiosa e inconsistente juventude. Que me valerão estas páginas descontentes? O livro, o voto, não valerão mais do que tu. Nunca disse que escrevendo se salva a alma. Escreve, escreve, e a tua alma já está perdida.*

Italo Calvino, O Cavaleiro Inexistente

*nota: é uma monja narradora que escreve estas linhas.

[João Carlos Silva]

As leis da Venezuela

É favor espreitar esta notícia. E eu que nunca pensei vir a gostar do Alejandro Sanz. É bom saber que, na música como em Hollywood, o barco não está totalmente desequilibrado para o «outro lado». Tal como Andy Garcia motiva a oposição a Fidel, também Sanz critica Chávez. E «El Presidente» não se esquece.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sangue na cabeça

Não há uma noite em que consigas ir para a cama com a cabeça limpa de sangue.

[Paulo Ferreira]

Contar gotas

O Verão acabou mas o meu sofrimento com o suor não.

[Paulo Ferreira]

Falta de comparência

Pior do que uma grande derrota é uma falta de comparência.

[Paulo Ferreira]

Objectivos

No momento em que alguém se decidir a criar uma associação que tenha como único objectivo o de me salvar, passarei a acreditar no conceito de humanidade.

[Paulo Ferreira]

Caminhos

Do mesmo modo que existem várias formas de ganhar a vida, há diferentes formas de a perder. Eu, por exemplo, farto-me de encontrar caminhos para a desgraça.

[Paulo Ferreira]

Perder anos

Mesmo não saindo do sofá, consegues perder anos de vida em poucas horas.

[Paulo Ferreira]

terça-feira, outubro 09, 2007

Mundo cão

O chão é de terra. O tecto é de ar. Não confio neste mundo.

[Paulo Ferreira]

Razões para acreditar

Apesar deste Inferno que é o passado, o presente e o futuro, acredito que dias virão em que os céus azuis nos ofuscarão os olhos ao ponto de não conseguirmos ver o bicho que temos dentro de nós.

[Paulo Ferreira]

Amanhã

Sou daquelas pessoas que estão sempre à espera dos amanhãs. Sou daquelas pessoas que vivem desiludidas com os dias que passam.

[Paulo Ferreira]

Quatro paredes

Um suicida que amava a vida construiu uma casa sem janelas para que, nos momentos de angústia, não conseguisse encontrar pontos de fuga.

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, outubro 08, 2007

Futuro escuro

Tinha tão poucas expectativas em relação ao futuro que nunca se lembrou de sair da cama.

[Paulo Ferreira]

Amizade

A amizade acaba com a vaidade.

[Paulo Ferreira]

Manchas

O facto de seres humano não desculpa as tuas falhas. Mas o facto de seres falhado desculpa o ser humano que és.

[Paulo Ferreira]

Falhar

Se voltaste a falhar, não te preocupes. Falharás mais vezes.

[Paulo Ferreira]

Escolhas

Se um dia precisares de fazer escolhas, usa o cérebro em vez do coração. Reconheça-se, no entanto, que muito dificilmente um animal da nossa espécie consegue fazer escolhas com o cérebro. O coração é sempre a nossa grande ferramenta. Até quando a ferramenta é uma má ferramenta.

[Paulo Ferreira]

Prova de esforço

Quem conseguir passar mais do que quatro horas com a sua senhora num centro comercial de grande dimensão, para além de estar a bater o meu máximo histórico, está pronto para o casório.

[Paulo Ferreira]

sábado, outubro 06, 2007

Sátira

H. L. Mencken tem uma forma engraçada de contar as suas opiniões ao público, uma vez que, ao fazer isso, brinca dizendo coisas sérias e consegue não cair em ridículo. Por exemplo, a ideia geral de Os Americanos é esta:

Está claro que gente de terceira categoria existe em todos os países, mas só que aqui lhes é confiado o leme do Estado e, ao mesmo tempo, a guarda dos valores nacionais.

Outro qualquer escriba, a dizer isto sobre os Estados Unidos, dar-me-ia vómitos. Mas Mencken não. Mencken sabia escrever, sabia pensar, sabia brincar. Mais importante, Mencken sabia que, fora de portas, o vazio era maior.

[Paulo Ferreira]




Felicidade

Em Os Americanos, Henry Louis Mencken (1880-1956) dá a receita necessária para a felicidade:

a) Bem alimentado, livre de preocupações mesquinhas, à vontade na mãe-pátria;

b) Repleto de um reconfortante sentimento de superioridade em relação à grande massa dos meus compatriotas;

c) Permanentemente divertido, com finura de espírito e de acordo com o meu gosto.

[Paulo Ferreira]

sexta-feira, outubro 05, 2007

Raça

Não conhecendo em profundidade a figura de Ângelo Correia, falo daquilo que vejo e que leio. Esta semana, numa entrevista ao Expresso, o homem refere, a propósito das reacções de Pacheco Pereira em relação à vitória de Menezes, o seguinte: O dr. Pacheco queria ser expulso para ser mártir, mas não lhe faremos a vontade. Parece-me que por aqui se vê de que material esta gente é feita.

[Paulo Ferreira]

Ser português

Sobre Arte de Ser Português, de Teixeira de Pascoaes, nada melhor do que a leitura do prefácio de Miguel Esteves Cardoso. Aqui fica um excerto:

Os Portugueses não queriam ser quem ele queria. Os Portugueses de Pascoaes nem sequer existiam. Pascoaes nunca percebeu que era tudo invenção dele.

[Paulo Ferreira]

Rei

Tentando averiguar se o ambiente na SIC continua tão eroticamente carregado como nos nossos tempos, eu e a minha mulher deslocámo-nos aos estúdios no passado domingo. Como fazíamos sete anos de casados nesse dia, convencia-a a ir vestida de noiva, para a fotografia.

- Miguel Esteves Cardoso, Única/ Expresso

[Paulo Ferreira]

Naquele dia

Poderia jurar que, naquele dia, o culpado não fui eu. Mas reconheço que todos os outros dias se têm parecido com aquele.

[Paulo Ferreira]

Lupa

Ontem comprei uma lupa e enviei-a a Deus, a ver se Ele me descobre no meio disto tudo.

[Paulo Ferreira]

Deus

Permanecer levantado no ar como um filho de Deus à espera da redenção. Permanecer crucificado como um pecador que, mesmo não suportando mais dor, só recebe dor.

[Paulo Ferreira]

Estado das coisas



[Paulo Ferreira]

quinta-feira, outubro 04, 2007

Sagnier


Apreciei deveras o trabalho de Ludivine Sagnier em Swimming Pool.

[Paulo Ferreira]

Homenzinho

Santana Lopes já é um homenzinho. Já não faz as noitadas de antigamente. Agora, em vez das habituais «directas», Santana deita-se às cinco, seis da manhã, para chegar fresquinho ao trabalho.

[Paulo Ferreira]

Mundo mau

A dor faz-te dizer constantemente que este mundo não é bom, que este mundo não é bom.

[Paulo Ferreira]

Menezes e Santana


A propósito deste meu post, onde eu admitia que não ficava demasiado abatido com a escolha de Santana Lopes para líder parlamentar do PSD, o meu amigo Bruno fez um comentário: «sendo que o João não se deixa enganar pela histeria de Menezes, estranho que ele use para Santana o argumento que os apoiantes do novo líder usaram na sua campanha (o de que, com ele, haveria "verdadeira" oposição, ou seja, berraria)». Ora, a minha justificação para tal «aceitação» de Santana como parlamentar está no próprio excerto que escolhi do comentário do Bruno. Ou seja, que o argumento que se tem usado para escolher os líderes do PSD terá de ser aceite se se referir ao líder parlamentar. É a única abordagem congruente. Menezes e Santana sempre fizeram par, e aos olhos das «bases» é a única continuidade aceitável. A visibilidade que ele (Santana) terá é natural e, com alguma esperança, não será pelos piores espectáculos que já protagonizou. Será um líder parlamentar que qualquer pessoa ouve, mesmo sem querer.

Resumindo: o espectáculo mediático que muitos quiseram ver no líder do partido podia já ter sido fornecido pela escolha de Santana Lopes para líder parlamentar, sem ter descambado nesta pobre via de liderança. Com a condição - e esta é a parte mais importante - de não «andar por aí» e de, se Menezes cair, aprender de vez a lição. Acho, Bruno, que, com o líder que o PSD tem neste momento, Santana Lopes é a única escolha óbvia.

[João Carlos Silva]

quarta-feira, outubro 03, 2007

Inferno 2

Indirectamente, vais escolhendo viver num inferno para o qual não estavas preparado.

[Paulo Ferreira]

Ferida aberta

Não imaginas que a tua existência é como uma ferida aberta que, ao mínimo toque, te fará gritar como uma criança doente. Mas devias.

[Paulo Ferreira]

Analgésico

Sendo certo que todos os dias me dói alguma parte do corpo, quantos analgésicos deverei tomar até que tudo acabe?

[Paulo Ferreira]

1000

No ano mil, o mundo não acabou. No ano dois mil, também não. Será que o Inferno é para sempre?

[Paulo Ferreira]

Inferno

Se é certo que certas vidas se rodeiam de uma grande felicidade, mais certo é que outras vidas são passadas muito lentamente, num grande sofrimento, dentro de uma grande fogueira que arde e que faz doer.

[Paulo Ferreira]

Um Santana atrevido é o que se quer

Marques Mendes foi um dos melhores deputados do PSD da última década. Talvez o melhor. Mas agora, parece, chegou a altura de ser afastado (por pouco tempo, gostava eu) por razões políticas e de mudança de «directório». Para além disso, vai-se escolher também novo líder para a bancada parlamentar do partido. Verdade seja dita, eu não me importava de ver Santana Lopes como líder da bancada parlamentar do PSD. Arriscando alguma incipiência no conteúdo das intervenções, ao menos tínhamos um homem mais desbocado e atrevido (este sim e não Menezes). Teríamos, esperançosamente, alguém capaz de virar as costas ao desrespeito do Primeiro-Ministro para com os deputados. Face ao sarcasmo barato e grosseiro das intervenções José Sócrates, acredito que Santana Lopes se levantaria a meio e se ia embora. Acredito que poderia exigir mais, mesmo que não tão bem como Mendes. E isso, nos tempos que correm, é de louvar.

[João Carlos Silva]

A viagem

O manuel a. domingos pôs o meia noite todo o dia a descansar por uns tempos. É pena. Ficam os votos deste blog de um retorno breve, como se de Ulisses se tratasse.

[João Carlos Silva]

O cantor que lia Kierkegaard



Tenho para mim que Elliott Smith ainda está vivo. Pelo menos para os dois autores deste blog, o homem continua vivo nas aparelhagens e mp3's.

[João Carlos Silva]

Fuck

Outra coisa fantástica em Roth é a sua utilização da linguagem, do calão. Não há palavras proibidas no vocabulário (à excepção, talvez, de «amor»). Em geral, nos livros de Philip Roth, página sim página não lá está «cunt», «fuck her/him», «cock», e por ai fora. Coisa mais rara na literatura lusitana. Há vergonha de explorar as palavras tabu. Eu incluo-me neste grupo, como bom filho ateu de católicos, de cuja influência e limites não consigo fugir.

Coisa melhor ainda é que a tradução de Deception (na Bertrand Editora) não tem piedade do leitor e traz à letra as palavras de Roth. As personagens fodem e vêm-se, assim mesmo sem aspas. As palavras são palavras e é preciso descrever a acção. É preciso falar como em Brooklyn. Aplaudo a tradução para português. Para não acontecer como nas traduções de séries (Sopranos incluídos) que transformam uma frase «they were fucking» num «estavam a fazer aquilo». O estilo depende do autor, mas a partir daí o tradutor deve deixar de ser tímido. Nisto da literatura crua nunca se mata o mensageiro: numa tradução nunca se mata o tradutor pelo vernáculo; num diálogo nunca se mata o narrador pela escolha de vocabulário. E Roth, felizmente, sabe isso.

[João Carlos Silva]

Roth


Ler um livro de Philip Roth é sempre o acto de descer um pouco à condição mais vil de todos nós. Traidores, mesquinhos e egoístas. Feios, porcos e maus. Há uma subversão das regras e da ordem das coisas na sociedade que, quando vemos bem, não é subversão nenhuma. É apenas o retrato do lugar mais obscuro do nosso comportamento. E, em Roth, esse lugar obscuro mas podre não está numa personagem distante e caricata. Pelo contrário: para encontrar a perversão em Roth não é preciso ir mais longe do que o próprio protagonista.

[João Carlos Silva]

Feeling

Alguns blogs têm comemorado a vitória de Luís Filipe Menezes, sem pensar no deserto que ficará no PSD depois da passagem deste infame autarca por lá. Mas noutros blogs foi-se mais longe na originalidade, convertendo o nome de Menezes numa sigla misteriosa: L de Líder ; F de Feeling ; M de Mérito. Sempre gostava de saber o que será o «Feeling» do dr. Menezes.

[João Carlos Silva]

terça-feira, outubro 02, 2007

In Rainbows


[Paulo Ferreira]

Quizás Quizás Quizás - Nat King Cole

[Paulo Ferreira]

É assim...

Se deixar a pistola carregada de balas em cima da mesa, não hesitarás em pegar nela para me matar. Sei que o amor é assim.

[Paulo Ferreira]

Mulheres, vidas

Por cada mulher que tens, vives uma vida diferente.

[Paulo Ferreira]

Calendário

O futuro está sempre tão longe e as necessidades estão sempre tão à mão.

[Paulo Ferreira]

Visitas


Há uma certa tendência de algumas pessoas para a pesquisa da palavra «gajas» no Google. Pelo menos, quando vou ao contador de visitas, só encontro «gajas». É quase um ritual. Abro o contador e, surpresa das surpresas, «gajas». Mas aqui não há disso. Neste espaço, a Claudisabel não mostra as «mamas», a Rita Egídio não faz «dança do ventre», a Eva Angelina não veste o fato de secretária.

[Paulo Ferreira]

Chuva

Noto que, com a chuva, me torno mais caseiro, telivisivo, soturno, nostálgico e feliz.

[Paulo Ferreira]

Pergunta

Se estivesses, neste momento, no meio do mar, que farias tu? Deixar-te-ias afogar ou tentarias salvar a pele?

[Paulo Ferreira]

Anonimato

Onde está a plateia?

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, outubro 01, 2007

EPC

Na «Atlântico» de Outubro, Jorge Reis-Sá, na sua crónica optimista, defende que Prado Coelho escrevia textos «legíveis» e «pertinentes». Ora, julgo que poder-se-ia dizer tudo sobre o homem menos isto. Prado Coelho não era legível nem pertinente. Era, aliás, por não ser legível nem pertinente que gastava o meu tempo a ler as suas crónicas no «Público». Prado Coelho falava em sóis violáceos, gostava de programas de culinária e apreciava as musas do cinema. Era esta a sua grande relevância. Mais nenhuma.

[Paulo Ferreira]

Coração malandro 2

Sei eu e sabem os meus amigos: os nossos corações nunca baterão como um só.

[Paulo Ferreira]

domingo, setembro 30, 2007

Coração malandro


Há um novo concurso na TVI, apresentado pela já antiga Júlia Pinheiro, que trata do «amor». O dito programa dá pelo nome de Casamento de Sonho, o que, só por si, transmite a ideia de que pelo menos duas pessoas tentarão atingir a perfeição sentimental. Sabe-se que não haverão facilidade mas, nestas coisas, não existem facilidades. O amor é exigente. As relações são quase sempre traumáticas. Por esse motivo, aparecem as «belas» e os «belos», que tentarão desviar os pombinhos através da «quebra de confiança» e do ciúme. O óbvio diz-nos que, no final, a certeza se elevará em relação à dúvida e a perfeição vencerá a desconfiança. Haverá o beijo apertado, as lágrimas do mastronço e, claro, o pedido de casamento. No entanto, o problema das relações afectivas não está no «Outro» mas sim em nós próprios. Não é a televisão que nos condena ou julga. Somos nós. O pior para aqueles pombinhos que se querem casar está cá fora, no dia-a-dia, na realidade crua e dura.

[Paulo Ferreira]

Concepção antropológica

A brasileira Marília Gabriela, numa entrevista concedida à Única (suplemento do Expresso), refere algo que é sempre de aplaudir:

O ser humano é intrinsecamente bom? Não, não é. Ele gostaria de ser, mas não é. E quando ele faz questão de ser bom, já aí reside uma certa maldade. Porque para se ser parece que é preciso ser melhor do que os outros. E também aí reside já uma certa vaidade, excessiva, um defeito desse ser humano complicado.

[Paulo Ferreira]

Relações

- Porque será que as coisas não podem melhorar?
- Nunca melhoram. É como numa peça de teatro. Essas também não melhoram. Se quiseres sair no intervalo de uma peça, sai, porque não vai melhorar.


Philip Roth, Traições (edição portuguesa de Deception)

[João Carlos Silva]

Stringer Bell


Quero ser o Stringer Bell do The Wire e vender droga aos quilos enquanto estudo para exames de economia. Quero mandar matar os pretos que dão com a boca no trombone com uma cara de quem deveria estar na caminha a ler Adam Smith. Quero ser um mafioso erudito.

[Paulo Ferreira]

sábado, setembro 29, 2007

O ponto (Robert Walser)




Um homem do tamanho do mundo foi-se deixando encolher, encolher, até ao ponto em que os homens deixam de ser homens para serem vermes, larvas, fezes.
[Paulo Ferreira]

Viva o rei!

Uma coisa é gostar de livros. Outra coisa é o PSD e o resto.

[Paulo Ferreira]

Solidão

A minha solidão foi escolhida por mim. Não me foi imposta por ninguém. Se me custa estar sozinho, custa-me muito mais ter companhias, ver fantasmas, observar passados no futuro. Dói-me muito mais estar convosco do que estar aqui neste isolamento.

[Paulo Ferreira]

Noites



Isto sim, é o que me leva a ficar acordado durante a noite. De vez em quando, em dias piores, faz um homem serenar. Tal como a noite de ontem.

[João Carlos Silva]

The end of the world as we know it

O resultado de ontem não será, certamente, o fim do mundo. Mas será, uma vez mais, o fim do PSD tal qual o conhecemos. Sempre que o PSD enveredou pela via mais fácil, todos sabemos muito bem por que via enveredou o país.

[João Carlos Silva]

O santo milagreiro

A outra razão pela qual Menezes ganhou, a mais importante para os votos que obteve, tem a ver com a incapacidade do PSD suportar mais tempo de oposição e ter "pressa" de chegar ao poder. Por isso acredita no Houdini, no milagre salvador que lhe dê esperança de, sem trabalho, nem reflexão, nem mudança, aparecer na manhã seguinte instalado em S. Bento.

José Pacheco Pereira, Abrupto

[João Carlos Silva]

sexta-feira, setembro 28, 2007

Uma casa em S. Bento

Ontem à noite, cansado e sozinho, fiquei surpreendido quando avistei uma multidão a bater palmas e a gritar. Pensei que fosse por mim. Pensei que o pessoal tivesse descoberto que não podia passar sem mim. Cheguei a ponderar se não deveria atirar as cuecas ao ar. Afinal, ninguém estava ali para me ver. Havia fados à desgarrada.

[Paulo Ferreira]

quinta-feira, setembro 27, 2007

Miguel Tiago Crispim Rosado - JCP

Há um indivíduo chamado Miguel Tiago que, para além de ser deputado na Assembleia da República, não domina a língua portuguesa. Quando fala, não percebo. Quando não fala, assusto-me. Fica com cara de burro a olhar para o infinito. Sempre que penso neste Miguel Tiago, penso em deixar de ler livros e em ganhar uma vida.

[Paulo Ferreira]

O estado das coisas



Como um bom D. Sebastião, Santana Lopes nunca desapareceu realmente. E assim continuará a acontecer.

[João Carlos Silva]

Um novo estrebuchar

O episódio protagonizado por Santana Lopes ontem na Sic Notícias é, antes de mais, lamentável. Não havia qualquer tipo de necessidade de fazer aquele circo. A Sic, tal como todos os outros canais, precisa de audiências. E José Mourinho dá audiências. Santana Lopes já não me parece o homem que arrasta multidões atrás de si e do seu coração vilipendiado pelo mundo «sujo» da política. Não tem grande credibilidade. Depois, Santana Lopes, se algum dia teve gente a ouvi-lo, foi por causa da televisão. Ninguém se esquece dos brilhantes debates entre Sócrates e Santana na RTP1. O menino guerreiro cresceu na televisão. O seu palanque foi na televisão. A televisão criou e matou Santana. O homem não tem, realmente, ponta por onde se pegue.

[Paulo Ferreira]

Santana Lopes abandona a entrevista

Ao acordar, vejo esta situação: Santana Lopes abandonou uma entrevista na SIC Notícias, por não ter gostado de ser interrompido pela notícia da chegada de José Mourinho. Refilou, pois claro. E abandonou o local com um sermão. Gosto especialmente da frase: «Eu só lhe pergunto se é assim que o país anda para a frente». Apesar de tudo, e da situação caricata, devo ceder desta vez a Santana Lopes. É que interromper um ex-Primeiro-Ministro para filmar Mourinho a chegar a casa, em directo, demonstra alguma falta de chá e de discernimento. Não posso deixar de ter uma ponta de concórdia com o homem desta vez.

[João Carlos Silva]

Direitos sob ataque

Já é possível ler uma crónica minha no Setúbal na Rede, acerca da «limpeza» que o Governo anda a fazer aos direitos dos portugueses, e em especial, neste caso, aos dos deficientes. O início é claro:

Os direitos andam a ser retirados a toda a gente, e agora chegou a vez em que esses direitos são retirados às pessoas portadoras de deficiência – na mesma altura em que o governo divulga exactamente o contrário. Não há limites para o poder da televisão e dos meios de comunicação. Isso toda a gente sabe. O que não nos lembramos é que esses meios, quando utilizados por um governo, também eliminam os limites do poder pessoal do Primeiro-Ministro.

[João Carlos Silva]

Caminho

A realidade é que, apesar de todos os universos que foste concretizando nos sonhos, os teus caminhos se vão estreitando cada vez mais.

[Paulo Ferreira]

Polícia

Nenhum polícia do mundo te conseguirá afastar da tua tragédia final.

[Paulo Ferreira]

Sonho e realidade

Acordei a pensar que estava a gritar, adormeci a pensar que ia gritar. No sonho, gritei. A vida real é silenciosa.

[Paulo Ferreira]

Quebrar

Nem tudo o que quebra tem arranjo. O amor, por exemplo, não vai muitas vezes ao mecânico.

[Paulo Ferreira]

Guardar II

Se partires um copo de vidro no chão, não penses que esse copo voltará a ser copo. Não guardes os cacos pensando numa imagem antiga.

[Paulo Ferreira]

Guardar I

Não guardes o teu coração nas mãos de outrem. A mão que fecha serve também para abrir e para largar.

[Paulo Ferreira]

terça-feira, setembro 25, 2007

Estado das coisas: Flannery O'Connor




[Paulo Ferreira]

Ambição vitoriana

No Bonfim, este vitoriano anda embriagado de ambições para o seu clube.

[João Carlos Silva]

A ausência do debate


O debate mensal no Parlamento foi, para mim, bastante elucidativo do estado em que está a política nacional. Sentado num trono «dourado», José Sócrates respondia às questões (legítimas) levantadas pela oposição com um ataque baixo e pessoal ao carácter desses deputados. É fácil ver como a comunicação pessoal, e a opinião pública em geral, sofre a manipualação do governo: Sócrates respondia às questões insultando o seu interlocutor e rematando «não vale a pena atacar-me pessoalmente», quando é o próprio Primeiro-Ministro quem tem esse estilo. Projectando nos outros o que ele próprio faz, passa para uma opinião pública desinformada a ideia, e o «soundbyte», dos «ataques pessoais da oposição».

A determinado ponto, Heloísa Apolónia (figura que nem me agrada particularmente) refere uma questão específica e simples: a do amianto utilizado na construção de escolas - por contraponto às maravilhas tecnológicas que o PM garante estarem a brotar do chão escolar em pleno recreio - que seriam nefastas para a saúde dos petizes. Relevante ou não, a questão era simpoes. Mas Sócrates resolveu responder com um insulto à relevância política da senhora e à «questão Verde Eufémia», que não sei como se poderia relacionar com aquele caso.

Já Francisco Loução e Jerónimo de Sousa (figuras que também não me agradas, respectivamente, a nível pessoal e a nível ideológico) levantaram questões essenciais das relações próximas entre Estado e privado (concordo que estes não devem estar promiscuamente envolvidos em quase nada, apesar de esta não ser a visão do sr. Louçã) e depararam com ataques à validade dos seus partidos e ao carácter de Louçã. Independentemente do que possam merecer, nem Apolónia, nem Louçã, nem Jerónimo viram as suas perguntas respondidas.

Com Marques Mendes e Paulo Portas, adversários naturais, o mesmo se passou, não sendo isso novidade, mas com a particularidade de terem dado um belo «contra» ao histerismo de José Sócrates. Gostei da intervenção de ambos, especialmente da de Mendes (com mais conteúdo e mais argumentado).

Por isto tudo, da próxima que ouvirem alguém referir que os políticos da oposição fazem «ataques pessoais» ao Primeiro-Ministro, mostrem-lhes a última sessão de debate mensal no Parlamento. Só acredito nisto: num Parlamento britânico, Sócrates teria sido trucidado politicamente, sem hipótese de escapar às questões. E será que iriam dizer que os deputados tinham sido malcriados? Acho que não.

P.S.- a propósito de aliados do Governo no Parlamento, Alberto Martins tem um rival na sua disputa pelo amor do Primeiro-Ministro. A relativa brandura de Sócrates para com o Bloco de Esquerda deixa entrever uma coisa: o PS não está a fechar aquela porta para 2009, ou seja, o Bloco está na lista de amigos de Hi5 do PM. A rever dentro de meses.

[João Carlos Silva]

Patrulhas ideológicas

Está online, desde 13 de Setembro, um artigo meu no jornal Setúbal na Rede sobre o «verão quente» que se viveu na esquerda portuguesa desde as eleições para Lisboa e que veio ajudar ao engrossar das fileiras das patrulhas ideológicas. O mote é este:

Eu sabia que a esquerda portuguesa e europeia andava louca por Hugo Chávez, mais do que a rapaziada – nova e velha, advirta-se – andava louca por Scarlett Johansson. Chávez, um Fidel em versão “estrela de televisão”, pôs as cabeças de muitos políticos e intelectuais portugueses à roda – não se verificando, no entanto, por parte de nenhuma destas corajosas almas, um vestígio de desejo de ir morar para a Venezuela, país tão livre e democrático que faz os “Founding Fathers” norte-americanos corar de inveja. Só vejo o ditador venezuelano mais na moda, e mais no coração da esquerda portuguesa, se ele recebesse um Nobel. Galardão político esse para o qual já faltou menos: só lhe falta escrever um livro.

[João Carlos Silva]

segunda-feira, setembro 24, 2007

Expectativa e frustração

A tua maior expectativa é também a tua maior frustração: vais morrer.

[Paulo Ferreira]

Luta

Há uma luta entre aquilo que és e aquilo que queres ser. Mas essa luta é desigual, violenta e só te fará perder o sono.

[Paulo Ferreira]

Troféu

Nenhum dos teus troféus te fará soltar um sorriso total, pacificador, final.

[Paulo Ferreira]