terça-feira, setembro 11, 2007

As odes de Ricardo Carvalho



Uma boa equipa de futebol, tem, pelo menos, um central genial a jogar sempre os noventa minutos. Infelizmente, no último Sábado, não vi nenhum central decente a jogar contra a Polónia. Fernando Meira é um bom jogador mas não consegue mandar na defesa. Não vacila, mas é limitado. Sobre a titularidade de Bruno Alves, nada digo. Por outro lado, fez-me uma certa pena ver Jorge Andrade no banco de suplentes a bater palmas e a incentivar os seus colegas. Mesmo em péssima forma, este mulato será sempre melhor do que Meira ou Alves. Isso deve-se a um factor de vital importância: o saber jogar. Jorge Andrade, sendo central, sabe como colocar a pantufa na bola. Mas também não é aquele craque maravilhoso.

O melhor central português no activo é Ricardo Carvalho. Arrisco mesmo afirmar que Ricardo Carvalho é dos melhores centrais que Portugal alguma vez teve. Aqueles cortes providenciais são qualquer coisa de outro mundo. O avançado adversário vai a rematar para a baliza, quase a festejar golo, e, sem que nada o fizesse prever, chega Carvalho por detrás ou pelos lados e corta o esférico. Para além disso, nota-se uma diferença abismal entre o jogador do Chelsea e os seus companheiros de posição. Carvalho, ao contrário de todos os outros, sabe receber uma bola no peito e começar a correr até ao meio-campo adversário com fintas à mistura. Incomparável. Dizia-se há uns anos que Fernando Couto e Jorge Costa formavam a melhor dupla de centrais do mundo. Pelo que vejo, o futebol de Carvalho é de outra dimensão. É um futebol mais pensado e, por conseguinte, menos português. Bruno Alves, apesar de novo, sabe o que representa a posição de central na selecção: jogar com o corpo, empregar cacetada, fazer falta, levar cartões vermelhos. Pepe é, de igual modo, um central que tem uma forma de jogar muito portuguesa. Já foi expulso num jogo do seu clube, o Real de Madrid. Há ainda outros centrais mais fracos e mais violentos, como Ricardo Rocha. Mas não há mais nenhum ao estilo de Ricardo Carvalho. Este é um dos professores do futebol. Calado, tímido, simples, humilde, prefere discursar com a bola parada no peito ou a cabecear para os pés de um seu companheiro. Aposto que, se este homem não estivesse lesionado , no último jogo, o nervosinho do guarda-redes teria sido menor e teríamos ganho aos polacos. Mas não. Jogámos à Scolari, isto é, de forma grosseira e analfabeta.

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, setembro 10, 2007

O ex-marxismo de um livro

Há umas décadas, construíam-se romances que tinham como base o fervor partidário da URSS. As santas palavras dos senhores de Moscovo eram consideradas leis feitas pela natureza. A exploração, as classes e o Estado deveriam deixar de existir. A burguesia teria que dar lugar à ditadura do proletariado e, depois, ao Comunismo com letra maiúscula. A centralização era importante. O mundo precisava de uma ordem, de uma organização, de uma liderança. Os partidos comunistas deste mundo aqui estavam para garantir tudo isso.

O neo-realismo viveu dentro dessa esfera comunista. A vontade de salvar o planeta era realmente forte. Tanto que a literatura desses autores chamados neo-realistas era, na sua grande maioria, escassa em termos de qualidade. A Fernando Namora, por exemplo, apenas faltou dizer que na América se comiam criancinhas ao lanche. Outros autores seguiram este caminho «vermelho» e, como resultado de um enorme empenhamento sentimental, escreveram livros com martelos nas mãos, em vez de usarem esbeltas e inteligentes canetas. Infelizmente, o neo-realismo passou-se desse modo. Não admira, por isso, que um autor de excepção como Vergílio Ferreira, não se tenha sentido muito preso a essa corrente. Mudança (1949) marca o final de um ciclo e o começo de outro. Apelo da Noite (1963), livro que aqui pretendo abordar, mesmo que de forma breve, é um dos tijolos que o autor usou para construir a sua fama de existencialista. Adriano, personagem principal, vive cabisbaixo com os livros que escreveu, com as criticas que recebe, com a vida que não compreende. Sabe que há uma solidão que o inunda mas que não consegue explicar. Ao lado desta figura, estão os amigos. Os que criticam Malraux ao afirmarem que quem reflecte não ergue um dedo. Malraux, para os amigos, é fascista, não defende a «causa». A revolução, para esta gente, é o fim a atingir. Adriano, por seu lado, apesar de acompanhar os seus companheiros nas suas diatribes, não deixa de estar desencantado. Sabe que o mundo não deve ser salvo pelos homens. Provavelmente, Adriano, como todos os outros Adrianos de Vergílio Ferreira, encaixam na mentalidade do criador. Ou seja, encaixam no desencanto de um homem que conhece o medo do indivíduo de ficar a sós consigo, que sabe que o homem está reduzido a si próprio.

«Ultimamente sós em nós.» Esta é uma das melhores frases de Adriano. Os amigos limitam-se sempre a pensar coisas como esta: «O sacrifício do operário será a vitória total de amanhã.» Vergílio Ferreira, quando escreveu Apelo da Noite já não tinha o fervor de antigamente. Nota-se um certo escárnio nas aproximações do «herói» da narrativa à ideia de revolução, há um gozo notório em tudo o que diz respeito às ideias dos senhores da bolchevização. Mesmo assim, refira-se que o final da história é simbólico: perdido em si próprio, Adriano ajuda um dos seus companheiros de clandestinidade a fugir da prisão e morre aos tiros com a polícia, para defender os que estavam consigo. Estou inclinado a afirmar que esta morte nada tem que ver com a causa, com a ditadura do proletariado, mas sim com a vida, com a existência, que está perdida desde sempre. Não me parece que Adriano morra pelos outros.

Apelo da Noite, apesar de viver do comunismo e da clandestinidade, não se alimenta das ideias de Garaudy. Não. É um outro livro de mudança, de fuga para um novo trajecto, é um ex-marxismo.

[Paulo Ferreira]

Força

Só há uma verdade que é a da força que não desiste.

- Vergílio Ferreira, Apelo da Noite


[Paulo Ferreira]

domingo, setembro 09, 2007

Dez livros que não mudaram a minha vida*

*A convite do Luís Ene, também participarei no desafio iniciado no meia-noite todo o dia pelo manuel a. domingos.

A menos que a leitura seja motivada por motivos profissionais, quando pego num livro, julgo que esse mesmo livro terá algum tipo de interesse. Nem que seja interesse intelectual. Parece-me, por isso, uma tarefa algo complicada enumerar dez livros que não tenham mudado a minha vida. Vejamos: neste momento, consigo afirmar que não aprecio os escritos de William Burroughs ou de Jack Kerouac. No entanto, apesar de ter a certeza de que a literatura beat não faz parte das minhas referências literárias, só após a leitura de livros como Festim Nu ou Pela Estrada Fora consegui chegar a essa conclusão. Ou seja, cada leitura é marcada por um interesse, por uma tentativa de tirar proveito de. Só após ter entrado no mundo de Henry Miller, consegui descobrir que os livros Trópico de Capricórnio e Trópico de Câncer pouco ou nada me interessavam. Se me perguntarem se aprendi alguma coisa com esses livros, não saberei responder convincentemente. Talvez tenha aprendido a fornicar uma mulher contra uma parede. Talvez tenha aprendido a desdenhar dos anos sessenta e setenta do século XX. Estou certo de que a minha vida não se transformou com estas leituras. De qualquer forma, deu-se uma mudança, uma aprendizagem, uma alteração de gostos.

A curiosidade abateu-se sobre mim quando, há poucos anos, conhecidos e amigos me falaram sobre Friedrich Nietzsche. Autor venenoso, língua em chama, caneta ardente. Comecei por ler o Anticristo e não gostei. Não apreciei, principalmente, o tom elevado com que Nietzsche aborda as Escrituras. A Origem da Tragédia foi outros dos livros que li e outro dos livros que não me agradou minimamente. Mais recentemente, peguei em Assim Falava Zaratustra. É inegável que estamos perante uma obra mais conseguida, mais pensada e mais bem elaborada do que as anteriores. Muitos dos temas de Nietzsche (vontade do poder, eterno retorno, homem superior, etc.) encontram-se na figura de Zaratustra. Todavia, não consegui, uma vez mais, ficar agradado com os escritos do autor. Talvez isso se deva à educação cristã que recebi em pequeno. Refira-se, apesar de tudo, que, se me dediquei à leitura do filósofo alemão, foi motivado pela curiosidade ou pelo referido interesse. Não tenho leituras do «porque sim». Há sempre uma motivação. Uma vontade de ingerir vitaminas para passar para etapas superiores. Foi o que fiz quando comecei a ler Schopenhauer, um autor de eleição.

Mas nem tudo o que se lê tem carácter pedagógico. Samuel Beckett dá-me puro prazer. Robert Walzer dá-me puro prazer. O mesmo se passa com Bioy Casares. Julgo, até, que é esse prazer da leitura que faz com que se pense na palavra de ordem deste desafio. «Livros que não mudaram a minha vida.» Um livro que não dê prazer é um livro que não muda uma vida, é um livro que não liberta. Guardo, porém, algumas reticências em relação a isso, já que, como referi anteriormente, uma leitura acarreta sempre uma mudança. Cada livro é um mundo, cada livro tem o seu universo interior. Ler um livro é entrar dentro desse universo. Não dá para dizer: não mudei nada com a leitura deste livro.

Se falarmos de literatura desprezível, daquela que vende trezentos milhões em vinte e quatro horas, não nos referimos a assuntos sérios. Um homem literato não pega no Alquimista de Paulo Coelho, não pega no Sei Lá da exótica Margarida Rebelo Pinto. Se pegar, bem, perde tempo, dinheiro e, possivelmente, juízo.

[Paulo Ferreira]

sábado, setembro 08, 2007

Surpresa

A surpresa implica espanto e novidade. Nada do que me acontece é surpreendente.

[Paulo Ferreira]

Eu

Não tens dois ou três caminhos diferentes. Segues a linha recta do destino.


[Paulo Ferreira]

Nunca

A felicidade assemelha-se a Deus: nunca a consegues apanhar.

[Paulo Ferreira]

quinta-feira, setembro 06, 2007

Ágata

O dia de hoje foi monótono. Mesmo assim, conheci um senhor que estava disposto a dar o seu dinheiro para ver as «mamas à Ágata».

[Paulo Ferreira]

quarta-feira, agosto 29, 2007

O mundo interior de Picasso

Em Creators (Paul Johnson), fiquei a saber que Picasso, para além do mulherengo egoísta que foi - isso toda a gente sabe -, era das maiores bestas que já pisaram o planeta. Para além do instinto predatório para com mulheres, namoradas, amantes, amigos, patrões, colegas e público, tinha de facto uma condição psiquiátrica que «gritava»: psicopatia. Fosse Picasso um político, tenho a certeza de que seria pior do que Estaline.

[João Carlos Silva]

O comunismo é uma festa



A imagem é, para além de inspirada, descaradamente retirada daqui.

[João Carlos Silva]

O pintor mais perverso do século XX



It is rare indeed for the evil side of a creator to be so all-pervasive as it was in Picasso, who seems to have been without redeeming qualities of any kind.

-Paul Johnson, Creators

[João Carlos Silva]

terça-feira, agosto 28, 2007

Espaço (Schopenhauer)

Se o homem fosse só audição, de nada valeria o espaço. Se o mundo fosse só música, tudo o que serve para pôr os pés estaria a mais.

[Paulo Ferreira]

Objectivo

Ao homem cabe matar e morrer.

[Paulo Ferreira]

Google

Fazem pesquisas no Google com os lexemas «Claudisabel mama». Chegam aqui.

[Paulo Ferreira]

Palavra

Depois de cada palavra, há um silêncio. Depois de cada silêncio, poderá não haver nenhuma palavra.

[Paulo Ferreira]

quinta-feira, agosto 23, 2007

Nota sobre In the mood for love

Por mais quilómetros que caminhes, por mais tempo que descanses, a dor não passará.

[Paulo Ferreira]

Nota sobre 2046

Se o teu coração se partir em dois, não compres cola, não tentes arranjar outro tambor para o peito. Espera pela morte.



[Paulo Ferreira]

Metade da vida

Passei a infância a ser acusado de não saber o que era vida. Agora que ninguém me levanta o dedo para nada, sinto-me um tanto ou quanto frágil.

[Paulo Ferreira]

Eu e tu

Por me terem ensinado a pouco falar na primeira pessoa, opto não poucas vezes pela segunda pessoa. «TU». Falo «contigo» sobre «ti». Mas há sempre um «EU» escondido.

[Paulo Ferreira]

Aqui

Se Deus existe, quero-o aqui comigo.

[Paulo Ferreira]

Duas vidas

Tinha tantos fantasmas no armário que ficou duas vidas sem trocar de roupa.

[Paulo Ferreira]

2

Ela era toda Che Guevara. Ele era mais chá inglês. O sexo entre os dois ficava no meio.

[Paulo Ferreira]

B. I. de blogger

  1. Pensar não pensando.
  2. Escrever não escrevendo.
  3. Amar não amando.

[Paulo Ferreira]

Carapuça

Quando começas a amar, deixas de existir. Passas a ser «Ela».

[Paulo Ferreira]

Vizinho

Se gostas do carro do vizinho mas não o podes conduzir, nem consegues juntar dinheiro para comprar um igual, não desesperes. A parede adora acolher os teus murros.

[Paulo Ferreira]

Harmonia

Se tentas viver em harmonia, das duas umas: ou estás a fazer algo que não te está reservado, ou vives noutro planeta.

[Paulo Ferreira]

Uma coisa

Há uma coisa neste mundo que só se moverá uma única vez. Falamos de ti e da tua ida para o caixão.

[Paulo Ferreira]

Fé individual

Consegues amar os teus inimigos.

[Paulo Ferreira]

Ausência

Se sentes que há uma ausência na tua vida que deveria ser preenchida, preocupa-te. Não há regressos.

[Paulo Ferreira]

Leveza 2

O que terá mais peso: a alma ou a bala?

[Paulo Ferreira]

As velhas da cidade

Empoleiradas nas suas varandas - que não deveriam estar separadas por mais de dois metros - estavam duas velhotas silenciosas, apagadas, sozinhas. Comecei por me questionar: o que levará duas pessoas isoladas a não comunicarem uma com a outra? Olhando para as mulheres, percebi. Há um ponto da vida em que já não mais esperamos das pessoas do que do silêncio.

[Paulo Ferreira]

Tarado

Infelizmente, para o homem que se impressiona com a estética feminina durante o Verão, existe a palavra tarado.

[Paulo Ferreira]

Da rua

Numa cabine telefónica, uma bela senhora grita para o seu interlocutor: «Não te aguento mais. Vê se desapareces.»

[Paulo Ferreira]

quarta-feira, agosto 22, 2007

As Harpias

Um pequeno rapaz, sentindo-se extremamente apaixonado por uma pequena rapariga, não sabia como explicar aos pais as razões que o levavam a chegar a casa com o coração apertado. À falta de melhor, decidiu inventar uma história de perseguição, na qual as Harpias lhe tentavam arrebatar o peito.

[Paulo Ferreira]

Ela (a ver livros na Fnac)

Quando comecei a ler Marquês de Sade, corei.

[Paulo Ferreira]

Compreensão

Não gosto de pessoas. As pessoas não gostam de mim.

[Paulo Ferreira]

2046



[Paulo Ferreira]

Divórcio

A mulher pediu o divórcio. O marido comprou uma arma.

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, agosto 20, 2007

Nota sobre o movimento

Se uma perna não andar, a outra perna, por mais força que faça, não vai longe.

[João Carlos Silva]

O estado das coisas: natureza morta



[João Carlos Silva]

Ninguém

Repara: se ninguém te ouve, não falas, se ninguém te lê, não escreves.

[Paulo Ferreira]

Jeito

Não escreves por jeito. Foi a solidão que te obrigou a pegar na caneta.

[Paulo Ferreira]

Leveza

Quando a bomba destrói os prédios da cidade, aparece um pó que transforma os dias em noite e as casas em sombras. Depois, quando o barulho das explosões dá lugar a outros sons menos ruidosos, mas não menos sofridos, surge no ar um outro pó. Menos escuro, mais leve, mais próximo dos céus.



[Paulo Ferreira]

Falhado

És uma espécie de falhado de ti próprio.

[Paulo Ferreira]

Erro 2

O problema de seres tu a errar nem tem que ver com os outros. Tem que ver com o facto de seres um fracasso para ti próprio.

[Paulo Ferreira]

Erro

Acontecem-te muitos erros que são da tua inteira responsabilidade. Poder-te-ão acontecer erros que não comecem nas tuas mãos, mas cedo farás com que esses ditos erros passem a ser teus. Tudo o que falhas, mesmo que em ti não comece, em ti acaba.

[Paulo Ferreira]

Vida triste

A vida é triste. O céu é sempre o mesmo. A hora
Passa segundo nossa estéril, tímida maneira.
Ah não haver terraços sobre a esperança.


- Ricardo Reis, Poesia

[Paulo Ferreira]

Insucesso

O pior medo do escritor deveria ser a página em branco. Infelizmente, é o insucesso.

[Paulo Ferreira]

Novos tempos

Trabalhas com o computador. Divertes-te com o Moleskine.

[Paulo Ferreira]

Prisões

Há quem viva em regimes pouco livres em termos políticos. Há quem viva preso a um matrimónio.

[Paulo Ferreira]

sexta-feira, agosto 17, 2007

Religião

A religião é injusta: Deus não te dá prendas por seres um homem subserviente.

[Paulo Ferreira]

Prática

A grande tragédia que envolve a palavra felicidade tem que ver com o facto de, em milhares e milhares de anos, cientistas, militares, poetas, professores, alunos, loucos, apaixonados, entre outros, nunca lhe terem encontrado uma aplicação prática.

[Paulo Ferreira]

Desfecho

Se sabes que a morte te chegará às mãos, para quê adiá-la?

[Paulo Ferreira]

Sofrer

Vives ansioso para amar, isto é, para sofrer.

[Paulo Ferreira]

Espelho

Passamos os dias a pensar que a causa da vida é a morte.

[Paulo Ferreira]

Campeonato

Vences muitas partidas mas ficas sempre com a sensação de que o campeonato não é para ti.

[Paulo Ferreira]

Fantasmas 4

Apesar de conheceres os teus fantasmas como a palma da mão, não lhes tocas.

[Paulo Ferreira]

Fantasma 3

Tenho um fantasma que, para além de ter nome, tem cara, cheiro, morada e número de telefone.

[Paulo Ferreira]

quinta-feira, agosto 16, 2007

Fantasmas 2

O problema não é saber que os fantasmas existem. É saber que eles têm nome.

[Paulo Ferreira]

Fantasmas

Foi preciso crescer para começar a ter medo de fantasmas.

[Paulo Ferreira]

terça-feira, agosto 14, 2007

Minguante nº 7

Já está no ar o nº7 da Minguante. E o meu texto.

[Paulo Ferreira]

Asneiras

Se permanecer calado, não digo asneiras. Se não disser asneiras, não existo.

[Paulo Ferreira]

Barba grossa

Se não houvesse disputa, seria teu amigo. Mas não seria homem de barba grossa.

[Paulo Ferreira]

Prática

Sei que as boas acções se praticam. Só não sei o que é uma boa acção.

[Paulo Ferreira]

Ideias tolas

As minhas ideias são tão absurdas que não coloco a possibilidade de alguém me vir dizer ao ouvido que tenho razão.

[Paulo Ferreira]

Tédio

O tédio é tão grande que me engole as palavras.

[Paulo Ferreira]

Mau mau



Mau mau é ir ao barbeiro e, de seguida, ter de pegar numa tesoura e acabar o trabalho dele em casa, para não parecer uma estrela dos anos 50 (com a franja que tanto orgulho dá ao sr. Mateus).

[João Carlos Silva]

A ler

Este post de Francisco José Viegas, sobre as andanças «sub-democráticas», no Brasil, do governo de Lula. O mote é o caso dramático das exportações de cubanos (refugiados não-oficiais) para a ilha-prisão de Fidel.

[João Carlos Silva]

Work in Progress



[João Carlos Silva]

domingo, agosto 12, 2007

BCP

É sempre interessante - e assustador - ver homens de negócios (que estão entre os mais importantes do investimento privado em Portugal), de «gravata de reunião» e tudo, a insultarem-se uns aos outros como se estivessem numa assembleia do Benfica.

[João Carlos Silva]

A ler

Este post, de Eduardo Pitta, sobre o «caso McCann».

[João Carlos Silva]

sábado, agosto 11, 2007

Simpsons

Fui ver o filme dos Simpsons e, escusado será dizer, foi dinheiro bem gasto. Não é surpresa dizer que é bom, tendo em conta que a deturpação da essência da série não aconteceu quando se passou os Simpsons para o cinema. É quase um milagre da criação humana a longevidade do humor da série, que pouco ou nada sofreu com os anos - muito pelo contrário, até veio a refinar-se e a ganhar, subtilmente, contornos mais negros e menos mímicos. Se é possível falar de «obras de uma vida», então os Simpsons são, sem dúvida, uma delas. Não só a «obra da vida» de Matt Groening, como parte das vidas de todos nós, que apanhámos os Simpsons na infância, adolescência, juventude ou, simplesmente, na parte atenta da nossa triste existência.



[João Carlos Silva]

Cão

Suspeito desde há muito que o cão é bastante mais esperto do que o homem: sempre estive convencido, até, de que o cão sabe falar, só que tem um feitio teimoso. O cão é um político extraordinário: repara em tudo, em todos os passos do homem.

Nikolai Gógol, Diário de Um Louco

[João Carlos Silva]

O know how de Boris Johnson

Boris Johnson numa aula de relacionamento diplomático com a Alemanha.



[João Carlos Silva]

Escrita

Por vezes, a escrita é um ofício impossível. É algo mais frágil do que um emprego de remuneração variável: meses há em que se passa fome.

[João Carlos Silva]

Doutoramento em Carimbação

Peço um papel numa secretaria. Dizem-me que ainda não chegou a doutora que diz que os papéis estão feitos. Como tal, o papel também não chegou. «A doutora ainda não trouxe o carimbo», diz a simpática e inocente senhora que me atende.

[João Carlos Silva]

Dona Inês

Hoje ainda não comprei o Expresso. E, portanto, à falta dos artigos que Inês Pedrosa ultimamente tem escrito, tive de me limpar ao papel quando fui à casa-de-banho.

[João Carlos Silva]

O mal-estar do Verão

Por vezes, durante o agradabilíssimo calor de Verão, que encharca as pernas de suor e apoquenta o escroto, as livrarias deixam de ser apelativas ao leitor apaixonado. É que estar perante preços altos e troçistas - que escondem livros tentadores - faz transpirar ainda mais e faz o intestino dar a volta final em direcção à catástrofe, e em direcção a um W.C. de café.

[João Carlos Silva]

O talento

Quem transporta o talento em si tem de ser o de alma mais pura. A outro qualquer será perdoada muita coisa, mas para ele não haverá perdão. Se um homem sai de casa com o seu fato de cerimónia claro, basta um salpico de lama provocado pela roda de uma carroça para toda a gente o rodear, lhe apontar o dedo e comentar a sua falta de asseio, mas não repara nas muitas nódoas nas roupas de todos os dias que envergam os outros transeuntes. É que na roupa do dia a dia não se vêem as manchas.

Nikolai Gógol, O Retrato

[João Carlos Silva]

sexta-feira, agosto 10, 2007

Deserto

A grande maioria dos visitantes deste cantinho chega aqui através de pesquisas no Google. Palavras como «vaca», «sexo», «rata», «seio», «vadia», entre outras, são essenciais para atravessar o deserto.

[Paulo Ferreira]

Problema na biblioteca

Escrever posts à pressa porque a pessoa do computador do lado também é blogger e também não tem nada para escrever.

[Paulo Ferreira]

Cabra vadia

Um homem não sai de casa durante vários dias e, quando sai, depara-se com um calor insuportável e com um mundo que já não lhe pertence. Mulheres, pernas de mulheres, bronzes, asneiras, suores, piadas. Outras vidas.

[Paulo Ferreira]

Evidente

As desculpas são para os caloteiros.


[Paulo Ferreira]

quinta-feira, agosto 09, 2007

Berardo

Fui visitar a dispendiosa «Colecção Berardo» ao CCB e fiquei francamente desiludido. Estou, aliás, convicto de que tudo o que possa estar ligado ao CCB seja uma desilusão. Pelo dinheiro gasto, pelo vazio cultural, pela falta de gosto. Quem for a um qualquer museu de renome no estrangeiro, terá oportunidade de ver arte a sério. Aquilo que vi é pouco. Citando um visitante menos acostumado a lidar com o mundo dos livros e da cultura: «Vem um gajo com os putos ver quadros quando podia estar na Costa, pá.»

[Paulo Ferreira]

Lésbicas

Segundo uns rumores que me chegaram aos ouvidos, uma lésbica britânica foi condenada, embora não tenha sido presa, por bigamia. Parece que «formalizou uma união de facto» com a sua parceira sem estar divorciada do marido. Ora, nunca vi a cara nem o corpo da senhora em causa, no entanto, posso afirmar que sou a favor de tudo o que tenha que ver com contactos corporais entre mulheres. Então, com o calor, não consigo imaginar a prisão de uma mulher que durma com outra. Pior do que a homossexualidade de mulheres, mesmo que pouco bonitas, é a nudez de uma mulher feia.

[Paulo Ferreira]

J. V. Serrão



A casta nacional não tem tanto paladar quanto a estrangeira, mas, em termos de sensualidade, é o que de melhor se arranja na historiografia portuguesa. Joaquim Veríssimo Serrão.

[Paulo Ferreira]

Elvis de Campolide

Gosta de Elvis Presley? Gosta de pessoas castiças e inesquecíveis? Se respondeu sim às duas perguntas, como eu, vá a este link. Se não respondeu sim a uma delas ou mesmo a nenhuma, irá ao mesmo link pela pura curiosidade. E não se arrependerá.

[João Carlos Silva]

terça-feira, agosto 07, 2007

Ferguson



Uma prova de que se pode ser um historiador com estilo.

[Paulo Ferreira]

Do rico pobre

Um pobre de espírito julgava-se rico por ter dinheiro. Mas o cheiro a fezes fazia com que a verdade não fosse ao fundo.

[Paulo Ferreira]

De um filme de Sábado à tarde:

As memórias foram feitas para serem esquecidas.

[Paulo Ferreira]

segunda-feira, agosto 06, 2007

Tendência

Tens uma certa tendência para olhar sem ver.

[Paulo Ferreira]

Sms

Pela quantidade de vezes que recebi mensagens de L. F. Menezes, posso afirmar que o homem merece ser expatriado.

[Paulo Ferreira]

Imbecilidade

Se um génio, que é génio, nada faz para viver melhor consigo próprio, por que razão se preocupará um imbecil com coisas tão complicadas?

[Paulo Ferreira]

Faltas

Pavese conhecia as suas falhas, os seus erros. Mas nada mudou.

[Paulo Ferreira]

Antes e agora

Ao carregar com móveis vários às costas para um segundo andar, lembro-me da infância e de jogar às casinhas. Já nesse tempo imaginava que isto deveria ser complicado.

[Paulo Ferreira]

Pavese (nota)

A misoginia de Pavese não se limita a um simples ódio ao elemento feminino. É, mais do que isso, um amor que, por se alimentar exclusivamente de solidões, se transforma em ódio e em desprezo.

[Paulo Ferreira]

Óbvio

Sou teu amante e portanto teu inimigo.

- Cesare Pavese, O Ofício de Viver

[Paulo Ferreira]

Deus

Novamente a experiência de que desejamos a dor para nos aproximarmos de Deus.

- Cesare Pavese, O Ofício de Viver

[Paulo Ferreira]

Verdade

Uma verdade de Pavese e dos Gregos:

O que tem de ser, seja.

[Paulo Ferreira]

Fundamental

Quando uma mulher casa, pertence a outro; e quando pertence a outro, nada mais há a dizer-lhe.

- Cesare Pavese, O Ofício de Viver

[Paulo Ferreira]